Oposição em Goiás é promessa, não é realidade.
No domingo da eleição, consumado o resultado das urnas com a reeleição do governador Daniel Vilela (MDB), o senador Wilder Morais (PL) anunciou que seu lugar, dali em diante, seria a oposição.
Disse: “De agora para a frente, como sempre, nós somos oposição ao governo. Então nós queremos cobrar dele, e a gente deseja que ele tenha sucesso e que cumpra o que prometeu.”
Wilder denunciou o uso da máquina pública na campanha, culpou as pesquisas por sua derrota e anunciou que vai cobrar do eleito, principalmente, melhorias nas áreas da saúde, geração de emprego e renda, industrialização. E vigiar para que não haja medidas contra aumento da tributação do agronegócio.
Entrevista firme. Foi mais duro com o governo na derrota do que foi na disputa com o candidato a governador. Esboçou um plano de oposição claro. Combate incisivo a Daniel, sem trégua.
No entanto, Daniel sucedeu Ronaldo Caiado, de quem Wilder foi secretário, e com quem estava junto até dois anos atrás, quando conversaram sobre a candidatura do senador a Prefeito de Goiânia com apoio governista.
Dois dias depois do discurso de Wilder, o ex-governador Marconi Perillo (PSDB), que terminou a eleição em quarto lugar, garantiu: não só seguirá na vida pública com independência, como fará oposição. Do seu jeito.
As palavras: “Seguirei fiscalizando e cobrando todas as promessas que foram feitas na campanha pelo governador eleito. Jamais vou torcer contra. Agirei de forma altaneira, de forma independente, e vou defender sempre, em primeiro lugar, os interesses da população, principalmente dos hipossuficientes.”
Luís César Bueno (PT), terceiro colocado, é silêncio e nada mais. Nenhuma pista de seu futuro político, ou sobre o do PT em Goiás. A atenção dos petistas é nacional: tentar reverter a frente de Flávio Bolsonaro (PL) sobre Lula no 2º turno.
Wilder saiu enfraquecido politicamente da eleição. Perdeu força dentro do PL para Gustavo Gayer, eleito senador. A relação entre eles ficou estremecida quando Wilder lançou sua candidatura ao governo, no início do ano, contra a vontade de Gayer, que queria aliança com Daniel, Caiado e a senadora eleita Gracinha Caiado.
Líderes bolsonaristas dizem nos bastidores que é questão de tempo a substituição de Wilder por Gayer na presidência do PL, no Estado. A fragilidade do senador está escancarada nos fatos. No evento de anúncio do apoio de Daniel Vilela e Ronaldo Caiado ao candidato a presidente do partido, Flávio Bolsonaro, ele teve que engolir a coragem. Foi lá, subiu no palanque e ouviu calado os discursos de Gayer, Caiado e Daniel.
Marconi, presidente do PSDB – e, ao contrário de Wilder, dono do destino de seu partido -, não tem espaço de negociação com Daniel e Caiado. O desinteresse de alinhamento político é mútuo. Mas será que vai fazer nos próximos anos o que não fez nos anos anteriores, em relação aos dois governos de Ronaldo Caiado? Quem operou a descontrução do nome do tucano foi Caiado, que falou alto e ‘ouviu’ de volta apenas silêncio.
Nada faz prever dificuldades para Daniel Vilela com qualquer tipo de oposição em Goiás pelos próximos anos. Declarações e críticas de palanque virão. Falar é fácil. Problema, na prática? Nenhum à vista.
Na Assembleia Legislativa, o domínio do governador é absoluto. Ele começará o ano com maioria absoluta para aprovar o que quiser. Barulho pontual de deputado fora da base não conta.
Não é só falta de vislumbre de oposição. Além de Marconi, como possibilidade, não há (ainda) qualquer outra liderança no Estado com talento e coragem para ser ou criar condições para incubação de opositores.
Ronaldo Caiado governou mais de sete anos sem resistência. Muito disso, beneficiado pelo vácuo na troca dos ciclos de poder: o que vai embora com ele, e o que está nascendo agora, desde a sua renúncia.
Daniel tem quatro anos e a chave do governo para se estabelecer como liderança máxima do polo do poder estabelecido. A situação.
Do outro lado o que há é oportunidade.
Quem vai chegar primeiro? Quem terá tamanha ousadia para enfrentar e vencer o cenário de adversidades?
