A reabertura do ano legislativo na Câmara Municipal de Goiânia, nesta quarta-feira (25), foi marcada pela ausência do prefeito Sandro Mabel (UB) e pelo protocolo de um pedido de impeachment. Enquanto as galerias da Casa estavam ocupadas por servidores e populares, a administração municipal foi representada pela vice-prefeita, Coronel Cláudia Lira (Avante), que compôs a Mesa Diretora ao lado de secretários do primeiro escalão.
Agenda indefinida e justificativas divergentes
A ausência do chefe do Executivo gerou desencontros de informações nos bastidores. Embora a assessoria do Paço Municipal não tenha divulgado oficialmente o compromisso de Mabel, informações de bastidores na Câmara indicam que o prefeito estaria em São Paulo. Na agenda oficial do município, não constam compromissos agendados para terça (24) e quarta-feira (25).
Durante seu pronunciamento, a vice-prefeita Cláudia Lira focou na continuidade dos trabalhos dos vereadores durante o recesso e nas reformas estruturais do prédio da Câmara, sem mencionar o motivo da falta do prefeito ou apresentar uma justificativa direta em nome dele. Por outro lado, o vereador da base aliada, Tião Peixoto (PSDB), afirmou em plenário que Mabel teria perdido o voo de retorno à capital.
Reações e embates em plenário
A oposição não poupou críticas à falta de Mabel na sessão solene. A vereadora Aava Santiago (PSB) destacou que o prefeito compareceu à abertura dos trabalhos na Assembleia Legislativa de Goiás (Alego), mas evitou o Legislativo municipal. “Demonstra a importância que o prefeito dá para a Câmara”, pontuou a parlamentar, relacionando a ausência à presença do público nas galerias.
Em contrapartida, Pedro Azulão Jr. (MDB) saiu em defesa da gestão, classificando as críticas como “jogo rasteiro” e destacando entregas recentes da administração, como a regularização de bairros. Segundo o vereador, os problemas enfrentados por órgãos como a Comurg e o Imas são heranças de gestões anteriores e não devem ser atribuídos exclusivamente ao atual mandato.
O pedido de impeachment
O clima político subiu de tom com o protocolo de uma representação por infração político-administrativa contra Sandro Mabel, realizado pelo vereador Igor Franco (MDB). Baseado no Decreto-Lei nº 201/1967, o documento sugere a abertura de investigação por indícios de irregularidades, embora o próprio autor reconheça que não apresenta, neste estágio, provas definitivas de ilegalidade.
O pedido agora deve seguir os ritos internos da Casa para avaliação de admissibilidade. O deputado Clécio Alves (Republicanos) também esteve presente na Câmara e sinalizou apoio a medidas de fiscalização rigorosa do Executivo.








