A decisão do governo do presidente Donald Trump de revogar o visto da embaixadora do Brasil em Washington, Maria Luiza Viotti, elevou o nível da tensão diplomática entre Brasil e Estados Unidos. A medida foi divulgada nesta terça-feira (4) e ocorre em meio ao impasse envolvendo a aprovação do novo embaixador indicado pelos norte-americanos para atuar em Brasília.
Segundo informações confirmadas por autoridades dos Estados Unidos e divulgadas pela imprensa, a revogação do visto é tratada pela administração norte-americana como uma resposta à demora do governo brasileiro em conceder o agrément, autorização diplomática necessária para que um embaixador assuma oficialmente o cargo.
Maria Luiza Viotti representa o Brasil em Washington desde 2023, após indicação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Ela foi a primeira mulher a chefiar a embaixada brasileira na capital norte-americana.
O impasse envolve a indicação de Daniel Perez, deputado estadual da Flórida escolhido pelo governo Trump para comandar a Embaixada dos Estados Unidos em Brasília. A nomeação foi anunciada em 1º de junho, mas, até o momento, o governo brasileiro ainda não concedeu o aval diplomático necessário para sua posse.
De acordo com fontes do Itamaraty, o Ministério das Relações Exteriores não foi informado previamente sobre a decisão de revogar o visto da embaixadora. O governo brasileiro acompanha o caso, enquanto o Departamento de Estado dos Estados Unidos ainda não detalhou oficialmente os motivos da medida.
Contexto da crise diplomática
A decisão amplia uma sequência de atritos registrados nas últimas semanas entre Brasília e Washington. Os dois governos vêm divergindo em diferentes frentes diplomáticas, incluindo declarações públicas e questões relacionadas à concessão de vistos.
No fim de julho, o Itamaraty negou visto a dois oficiais norte-americanos que pretendiam viajar ao Brasil para discutir temas relacionados ao sistema eleitoral brasileiro. O episódio aumentou o desgaste entre os dois países e antecedeu a nova medida adotada pelo governo dos Estados Unidos.
O próximo movimento deverá ser acompanhado pelas chancelarias dos dois países, que podem buscar canais diplomáticos para reduzir a escalada das tensões ou adotar novas medidas de reciprocidade.
