O cão comunitário Orelha morreu após sofrer agressões na Praia Brava, uma das áreas mais nobres de Florianópolis. A Polícia Civil identificou quatro adolescentes como suspeitos de maus-tratos.
Além disso, a investigação levou ao indiciamento de três adultos — dois pais e um tio dos adolescentes — por suspeita de coagir uma testemunha durante o andamento do caso. Celebridades, moradores e protetores da causa animal também pressionam as autoridades por providências e pedem que o episódio não caia no esquecimento.
Quem era Orelha
Orelha vivia como cão comunitário na Praia Brava e ocupava uma das casinhas mantidas para animais que se tornaram mascotes da região. Moradores e comerciantes cuidavam do cachorro, conhecido por ser dócil, brincalhão e muito querido por frequentadores e turistas.
O que aconteceu
A Polícia Civil aponta que o crime ocorreu em 4 de janeiro, na Praia Brava. Pessoas que estavam no local encontraram Orelha ferido e agonizando, levaram o animal a uma clínica veterinária e, no dia 5 de janeiro, a equipe realizou a eutanásia devido à gravidade dos ferimentos.
A perícia concluiu que os agressores atingiram o cão na cabeça com objetos contundentes, sem ponta ou lâmina. A polícia ainda não localizou o objeto usado no ataque.
Quem são os suspeitos
A Polícia Civil identificou quatro adolescentes como suspeitos do crime de maus-tratos. As autoridades não divulgaram nomes e idades por determinação do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).
Dois adolescentes permanecem em Florianópolis e entraram na mira de uma operação policial na segunda-feira (26). Os outros dois fugiram para os Estados Unidos e seguem foragidos.
Há imagens da agressão
A Polícia Civil não encontrou imagens do momento exato da agressão. Segundo a delegada Mardjoli Valcareggi, a polícia chegou aos suspeitos após analisar outros registros feitos na região no mesmo período e ouvir testemunhas.
A corporação também informou que analisa mais de mil horas de imagens de câmeras de segurança.
Investigação apura outros maus-tratos
A apuração também investiga uma tentativa de afogamento contra outro cão comunitário, chamado Caramelo, na mesma praia. Imagens mostram adolescentes pegando o animal no colo, e testemunhas disseram que viram o grupo jogar o cachorro no mar.
Por que a polícia indiciou três adultos
A Polícia Civil indiciou dois pais e um tio dos adolescentes por coagir uma testemunha durante a investigação. Segundo a corporação, o alvo da coação foi o vigilante de um condomínio, que teria uma foto capaz de ajudar no esclarecimento do crime. Por segurança, ele deixou o trabalho temporariamente.
O que caracteriza o crime de coação
A legislação define coação como o ato de ameaçar ou constranger pessoas ligadas a um processo judicial: como testemunhas, vítimas ou réus, para interferir na investigação ou influenciar o resultado do processo.
Quantas pessoas prestaram depoimento
Em entrevista coletiva na terça-feira (27), a Polícia Civil informou que 22 pessoas prestaram depoimento somente no inquérito que apura a coação. A Justiça não autorizou a apreensão de aparelhos eletrônicos dos adultos investigados.
Como a polícia conduziu a apuração
A Polícia Civil dividiu o caso em duas frentes:
Auto de apuração de ato infracional, sob responsabilidade da Delegacia de Atendimento ao Adolescente em Conflito com a Lei da Capital (DEACLE), para investigar a conduta dos adolescentes;
Inquérito policial, conduzido pela Delegacia de Proteção Animal da Capital (DPA), que apurou a coação atribuída aos familiares e concluiu o procedimento na noite de segunda-feira (26).





