O Tribunal de Justiça do Estado do Pará (TJPA) confirmou, de forma unânime, a condenação do cantor Bruno Mafra, vocalista da banda “Bruno e Trio”, pelo crime de estupro de vulnerável. A sentença estabelece uma pena de 32 anos de prisão em regime fechado. Os crimes, ocorridos entre 2007 e 2011, tiveram como vítimas as duas filhas do artista, que na época tinham 5 e 9 anos de idade.
A decisão da 1ª Turma de Direito Penal acompanhou o voto da relatora, desembargadora Rosi Gomes. Segundo o acórdão, os relatos das vítimas foram considerados consistentes e detalharam um padrão de abusos que incluía isolamento, manipulação psicológica e atos libidinosos. As provas testemunhais de familiares e laudos sexológicos corroboraram a materialidade do crime, refutando a tese de insuficiência de provas apresentada pela defesa.
O pronunciamento das vítimas e o “luto em vida”
Após a confirmação da sentença em segunda instância, Melissa Apriggio, uma das filhas e vítimas de Mafra, manifestou-se publicamente através das redes sociais. Em um depoimento contundente, Melissa descreveu o processo como uma jornada de sete anos em busca de justiça, definindo o momento atual como o “luto de enterrar um genitor em vida”.
A jovem enfatizou que a fase de discussão sobre a veracidade dos fatos está encerrada juridicamente, uma vez que a condenação foi ratificada pelo colegiado de desembargadoras. Melissa também aproveitou o espaço para encorajar outras vítimas de abusos na infância a denunciarem os crimes mesmo após chegarem à vida adulta, destacando que a maturidade é, muitas vezes, necessária para o discernimento da violência sofrida.
Ameaças de morte
A repercussão do caso tomou contornos ainda mais graves no último domingo (29), quando Melissa denunciou estar sofrendo ameaças de morte. A jovem registrou um boletim de ocorrência e afirmou que as autoridades competentes já foram acionadas. “Relatei minha história, a qual foi devidamente apurada pelo Poder Judiciário”, declarou a vítima ao reafirmar a legalidade de sua exposição.
Por outro lado, o caso evidencia uma profunda cisão familiar. Anthony Mafra, também filho do cantor, utilizou suas redes sociais para defender o pai. Ele afirmou não acreditar nas acusações, alegando que sua convivência direta com o artista não reflete a imagem apresentada no processo. Anthony sugeriu que o caso pode estar atrelado a conflitos pessoais, posicionando-se publicamente ao lado do genitor.
Posicionamento da defesa
Em nota técnica, o escritório responsável pela defesa de Bruno Mafra informou que o processo ainda não transitou em julgado e que serão adotadas medidas recursais nas instâncias superiores. Os advogados sustentam que houve violações ao devido processo legal e expressaram preocupação com a divulgação de detalhes de um caso que tramita sob segredo de Justiça.
