O ator e músico sueco Björn Andrésen, cuja beleza icônica se tornou tanto um passaporte para a fama quanto uma maldição para toda a vida, faleceu aos 70 anos. A notícia foi confirmada na segunda-feira (27) pelo cineasta Kristian Petri, codiretor do documentário que, em 2021, finalmente deu a Andrésen a chance de contar sua própria história. A causa da morte não foi divulgada.
Aos 15 anos, Andrésen foi imortalizado como Tadzio no clássico Morte em Veneza (1971), de Luchino Visconti. Na estreia do filme, o diretor italiano o apresentou ao mundo como “o garoto mais lindo do mundo”, um rótulo que o assombraria para sempre. O que para o público parecia um conto de fadas era, para o adolescente, o início de um pesadelo. Anos mais tarde, ele descreveria a experiência como traumática, sentindo-se objetificado e exposto a um mundo adulto para o qual não estava preparado.
O impacto do ator ultrapassou o cinema. Nos anos 1970, sua imagem se tornou fenômeno no Japão, onde o público reagiu intensamente à sua beleza delicada e quase feminina. Artistas de mangá, especialmente do gênero Shoujo (voltado ao público feminino mais jovem), inspiraram-se em sua aparência ao criar personagens, como Lady Oscar, de Riyoko Ikeda, e Gilbert Cocteau, de Keiko Takemiya, Johan Liebert, de Naoki Urasawa e Griffith, de Kentaro Miura. Essa influência é apontada como um dos fatores que consolidou o estilo de personagens masculinos delicados e esteticamente femininos em mangás e animes até hoje.
Imagens: A Rosa de Versalhes → Riyoko Ikeda | Shueisha | TMS Entertainment – Kaze to Ki no Uta → Keiko Takemiya | Shogakukan – Monster → Naoki Urasawa | Shogakukan | Madhouse/Nippon TV Berserk
Longe das câmeras, Andrésen tentou se reinventar, dedicando-se à sua verdadeira paixão: a música. Atuou como pianista e compositor, buscando uma identidade artística que não fosse definida apenas por sua aparência. Ainda assim, o fardo da beleza o perseguia. “Nunca vi tantos fascistas e babacas como há no cinema e no teatro”, disse ele ao The Guardian em 2021, refletindo sobre a indústria que o celebrou e explorou na mesma medida.
O capítulo final de sua vida pública foi, talvez, o mais libertador. O documentário O Garoto Mais Bonito do Mundo, dirigido por Kristina Lindström e Kristian Petri, mergulhou fundo em sua trajetória, revelando o homem vulnerável e lúcido por trás do mito. A obra permitiu que ele confrontasse seu passado e redefinisse seu legado, não como o objeto de desejo de Visconti, mas como um sobrevivente que, apesar de tudo, nunca perdeu sua voz.



