O bolsonarismo ganha a eleição deste ano no Brasil se aceitar ficar refém do Centrão no Congresso. O boleto foi emitido. Os juros estão correndo pelo resto da vida e depois de outubro, se tudo der certo e as urnas falarem mais alto que é dando que se recebe. É dando golpe que se recebem os dividendos públicos em conta particular.
Ninguém ganha sozinho a eleição no Brasil. Dizem as pesquisas. Gritam os fatos. Nem esquerda. Nem direita. Nem o centrão, essa metamorfose de parlamentares ambulantes, negociantes e chantageantes da política brasileira. Dois juntos, sim, ganham um bolão.
O centrão comanda a farra das emendas, é sócio indireto de Daniel Vorcaro com o Banco Master e com tudo, e governa o Brasil faz tempo – mas que governa mais, com o Brasil no colo, desde Michel Temer, alinhado dos anos de Jair Bolsonaro na Presidência. Bolsonaro rendeu-se a eles para concluir seu mandato, senão a história seria outra, todos se lembram. As emendas Pix – sempre elas – que o digam.
Agora, pra barrar a indicação de Jorge Messias ao STF, o bolsonarismo somou forças ao centrão. Juntos, unidos, jamais serão vencidos. E venceram. Venceram Lula no Senado. Depois venceram outra vez – e de novo juntos e unidos – lá e na Câmara, na derrubada do veto de Lula que impedia a dosimetria, que tem poder de baixar a pena dos golpistas e de Bolsonaro.
Lula sai enfraquecido porque não pagou o preço. Literalmente. Porque então, além de liberar emendas e cargos na estrutura de poder – o que o petista até fez -, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, exigiu carinho, afagos, abraços e que, ao final do ato (de beija-mão), fosse feita a sua vontade.
Inclusive na indicação de substituto de ministro do STF, prerrogativa legítima de quem está no Palácio do Planalto. Serviço completo, pra freguês brasileiro que vota e se vende (eita!) como patriota, não reclamar. Abaixou, tem que rezar na cartilha, meu cristão.
Os bolsonaristas precisam do Centrão – merecidamente em inicial maiúscula agora, apesar dos princípios e propósitos minúsculos de sempre – para tentar ganhar a eleição. Ganhando, já sabemos (não somos bobos, não é mesmo?): a conta chegará-chegando. Como já chegou pra Bolsonaro, não custa repetir, nos tempos em que era presidente, tá ok? E de Lula hoje, naturalmente.
Lealdade? Sinceridade? Governabilidade acima de tudo e moral & ética acima de todos? Convenhamos: quem te viu, quem te vê. Quem viu um nativo do Centrão, viu todos e já viu de tudo. Amanhã será só mais outro dia de cobrar a fatura novinha em folha. Em folha, em consignado, em emenda… enfim.
Cá entre nós. Não é engraçado ver bolsonaristas, lépidos e faceiros, comemorando vitória com chapéu alheio do Centrão? Não é curioso testemunhar Flávio Bolsonaro posar de moderado enquanto terceiriza o papel de bandido bom é bandido nosso? Estão comemorando e vivendo sem medo de serem felizes para todo o sempre que esse amor durar.
Flávio é o moderado da hora. Alcolumbre, o valente destemido na cruzada santa contra os homens inimigos comuns da eleição que vem aí. O boleto tem data de validade. O que não tem preço é a agiotagem eleitoral. Para Flávio, dinheiro da viúva é matula de trabalhador 6×1 – ou 7. Para o Centrão, tudo a ver. Democracia à parte, a vida tá melhor que juro do Banco Central. Tá Master INSS!
