A discussão sobre o funcionamento de supermercados, hipermercados e atacarejos aos domingos em Goiás entrou em um novo período de incerteza. O acordo, que era aguardado pelo setor produtivo para este mês de abril, foi adiado devido a um impasse nas negociações entre patrões e empregados, somado à expectativa em torno de mudanças na legislação trabalhista federal.
Atualmente, o cenário é de cautela. O Sindicato do Comércio Varejista de Gêneros Alimentícios no Estado de Goiás (Sincovaga-GO) evita cravar novos prazos. Embora informações de bastidores indiquem que uma nova assembleia patronal ocorra apenas no final de abril — empurrando qualquer mudança prática para maio —, o presidente da entidade, Alessandro Jean Pereira de Faria, optou pelo silêncio estratégico para não interferir nas tratativas em curso.
O “fator Brasília”
Um dos principais motivos para a trava nas negociações é a tramitação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que visa extinguir a escala 6×1. A proposta, que ganha corpo na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara dos Deputados, propõe um modelo com mais folgas semanais, o que impactaria diretamente a estrutura de custos e a montagem de escalas das empresas goianas.
Empresários do setor avaliam que fechar um acordo local agora, sem saber qual será a regra nacional em um futuro próximo, pode gerar insegurança jurídica e operacional. Por isso, a tendência é aguardar a sinalização do Congresso antes de formalizar qualquer compromisso com os sindicatos laborais.
Divergências e o déficit de mão de obra
O conflito de interesses é claro: de um lado, o Sindicato dos Empregados no Comércio Varejista de Gêneros Alimentícios (Secom-GO) defende o fechamento total aos domingos. A entidade alega que a medida melhoraria a qualidade de vida dos cerca de 30 mil trabalhadores representados e ajudaria a mitigar a grave escassez de mão de obra no setor, estimada em um déficit de 10 mil vagas no estado.
Do outro lado, o setor patronal estuda os impactos financeiros. Uma das propostas ventiladas foi o funcionamento parcial (até o meio-dia), mas a ideia foi rejeitada pelos representantes dos trabalhadores. Como reflexo da dificuldade em contratar profissionais, muitos estabelecimentos já aceleram a implementação de caixas de autoatendimento (self-checkouts) para manter o fluxo de operação mesmo com equipes reduzidas.
Por enquanto, não há mudanças para o consumidor. Enquanto o martelo não é batido, segue valendo a regra atual, permitindo o funcionamento normal dos supermercados goianos aos domingos.
