Em 1900, André e Edouard Michelin decidiram ajudar motoristas franceses a viajar com mais segurança e praticidade. Eles publicaram um pequeno guia que trazia mapas, oficinas, postos de gasolina e até dicas de restaurantes e hotéis. A iniciativa nasceu como estratégia para estimular as viagens de carro e, com elas, as vendas de pneus da empresa fundada em 1889, em Clermont-Ferrand.
O guia circulou gratuitamente por duas décadas. Em 1920, passou a ser vendido por sete francos, seis anos depois, a publicação começou a destacar restaurantes com estrelas, inicialmente apenas uma. Em 1931, o sistema ganhou a famosa escala de uma a três estrelas e, em 1936, os critérios oficiais foram divulgados ao público.
As definições permanecem atuais: uma estrela significa que o restaurante “vale a parada”, duas estrelas que “vale o desvio” e três que “vale a viagem especial”. Ao longo do século 20, o Guia Michelin se tornou referência global e hoje lista mais de 30 mil estabelecimentos em mais de 30 países de três continentes.
O trabalho dos inspetores
A avaliação depende de inspetores que atuam de forma anônima. Apesar de rumores nas redes sociais sobre clientes solitários tomando notas em restaurantes sofisticados. A equipe do Guia garante que nenhum inspetor se arrisca a levar notebook ou revelar sua identidade.
Cada restaurante recebe visitas de vários inspetores antes da decisão final, garantindo análises coletivas e imparciais. Os critérios de avaliação são cinco: qualidade dos ingredientes, harmonia dos sabores, domínio técnico, personalidade da cozinha e consistência ao longo do tempo.
Os inspetores possuem no mínimo dez anos de experiência na hotelaria e passam por treinamento específico. Eles jamais retornam a restaurantes já avaliados e montam listas a partir de reportagens, redes sociais e indicações de clientes.
Estrelas no Brasil
No Brasil, o Guia Michelin analisa restaurantes de São Paulo e do Rio de Janeiro. Nenhum estabelecimento brasileiro alcançou a terceira estrela, mas alguns já conquistaram destaque internacional.
Duas estrelas
- Rio de Janeiro: Oro, Lasai
- São Paulo: D.O.M, Tuju, Evvai
Uma estrela
- Rio de Janeiro: Casa 201, Oseille, Oteque, Ristorante Hotel Cipriani, MEE, San Omakase
- São Paulo: Kanoe, Ryo Gastronomia, Huto, Jun Sakamoto, Kan Suke, Kinoshita, Maní, Picchi, Fame Osteria, Kazuo, Kuro, Murakami, Tangará Jean-Georges, Oizumi Sushi