Quem fala e fala e fala sem me conhecer, acaba por falar bobagem exatamente porque não me conhece. Se me conhecesse, falaria outra coisa. Mas que coisa falaria? Porque, me conhecendo bem, já tem uma opinião formada sobre o que tenho de bom e de ruim.
Vai dizer, ou pensar ao menos, segundo os conceitos formados a meu respeito, o que significa que terá um viés positivo, quem sabe, ou negativo segundo a visão do momento a partir do meu ato imediato. Vai compreender, por bom coração ou interesse eventual, ou se destemperar a meu respeito.
Se fiz cagada e ele considera que isso é irrelevante, vai relevar e me justificar, defender até. Se considera algo agravante para os seus outros conceitos, vai me condenar com base no que conhece de mim. Me conhecer me favorece aos olhos de quem me conhece desde que eu não desfavoreça o olhar a mim direcionado. Algo assim.
No fim, ser conhecido leva em conta (como sujeito da oração e como o sujeito na ação) uma percepção de realidade que me dá alguma vantagem diante dos que não me conhecem. Fato. Torço. Mas isso, na prática, não garante que o seja. Na prática, tudo pode. Porque, na prática, nunca se sabe, não é verdade?
Não ser conhecido tem o outro lado de me dar – me envolver e também me presentear, calculo eu – o sentido de dúvida. Mas nada certo, porque pode ser que tal fator nem entre em consideração, na equação. A equação é o resultado do destino subtraído da esperança. Ou somado, pode ser.
Quem fala de mim não sabe o que está fazendo, da mesma forma que quem não fala. Fico na minha. Melhor nem existir. Quem fala de mim não sabe o que está dizendo. Nem eu. Eventualmente, prefiro nem falar de mim. Pra não provocar, entende? Da boca pra fora, ninguém é o que se diz da boca pra dentro.
