O Comitê Paralímpico Internacional definiu Alessandro Zanardi como “um pioneiro, um ícone e uma lenda”. A primeira-ministra Giorgia Meloni o saudou como um exemplo de “coragem, força e dignidade”. As homenagens se multiplicaram nesta sexta-feira (02), após a família do ex-piloto de Fórmula 1 e multicampeão do paraciclismo anunciar sua morte, ocorrida na noite de 1º de maio, aos 59 anos.
“É com profundo pesar que a família anuncia o falecimento de Alessandro Zanardi, ocorrido repentinamente na noite de ontem. Alex faleceu em paz, cercado pelo amor de sua família e amigos”, comunicou a família, sem revelar a causa. Esposa Daniela e o filho Niccolò pedem privacidade e prometem divulgar os detalhes do funeral posteriormente.
Zanardi ganhou projeção internacional na F3000, em 1991, e migrou para a Fórmula 1 no mesmo ano, período em que Ayrton Senna enfileirava títulos mundiais (1988, 1990 e 1991) e ampliava a audiência da categoria no Brasil. Na F1, Zanardi manteve discrição; na Fórmula Indy, brilhou com os campeonatos de 1997 e 1998.
O primeiro drama ocorreu em 15 de setembro de 2001: outro carro o atingiu em cheio, e a violência do impacto obrigou a amputação das duas pernas. O coração chegou a parar sete vezes. Mais tarde, ao refletir sobre aquele dia, cunhou uma das frases mais lembradas de sua carreira:

“Eu sobrevivi a algo que a ciência não me dava nenhuma chance. Meu coração parou de bater sete vezes, eu sobrevivi por 15 minutos com menos de um litro de sangue no corpo. E estar aqui é um feito e tanto, muito maior do que uma medalha”.
O paraciclismo surgiu como novo caminho. Alex Zanardi conquistou dois ouros e uma prata em Londres 2012 e repetiu o desempenho no Rio 2016. A comemoração erguendo a handbike acima da cabeça se tornou uma imagem-símbolo do movimento paralímpico.
Em 2020, uma nova tragédia quase o levou. Treinando em uma estrada italiana, perdeu o controle da bicicleta em uma descida, bateu contra um caminhão e sofreu lesões na face e na cabeça. O helicóptero o removeu em estado grave para o hospital, onde passou por sucessivas cirurgias.
O CPI postou uma foto da celebração de Londres e escreveu: “Suas performances foram verdadeiramente extraordinárias, conquistaram novos fãs para os Jogos e mostraram ao mundo que tudo é possível. Ele era um homem que constantemente desafiava os limites do possível”. Giorgia Meloni completou: “Alex Zanardi soube se reinventar a cada vez, enfrentando também os desafios mais duros com determinação, lucidez e um ânimo fora do comum. Deu a todos nós muito mais do que uma vitória: deu esperança, orgulho e a força de nunca se render”.
