A paisagem da Rua 20, no Setor Central de Goiânia, passa por uma mudança definitiva neste final de semana. Tem início neste sábado (7) a operação para a retirada de um mogno de 68 anos, localizado em frente à Casa da Memória. A intervenção, coordenada pela Companhia de Urbanização de Goiânia (Comurg), baseia-se em laudos técnicos que apontam um risco iminente de colapso da estrutura arbórea.
Monitorada desde 2021, a árvore teve sua remoção recomendada em um relatório de abril de 2025 emitido pela Escola de Agronomia da Universidade Federal de Goiás (UFG) e pela Agência Municipal do Meio Ambiente (Amma). Segundo os especialistas, o exemplar apresenta inclinação progressiva do tronco, cavidades internas profundas e redução severa da resistência da madeira, o que compromete a segurança de pedestres e do patrimônio histórico ao entorno.
Logística e impacto no trânsito
A operação mobiliza cerca de 50 profissionais e conta com o suporte de dois guindastes disponibilizados pela Justiça Federal — proprietária do imóvel onde a árvore está situada. Devido à complexidade do serviço e ao porte do mogno, a Rua 20 foi interditada temporariamente. O fluxo de veículos está sendo desviado para a Rua 14, sendo permitido apenas o acesso local.
O Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) e a concessionária de energia local foram notificados para garantir que a remoção não cause danos à fiação ou ao prédio da Casa da Memória. O imóvel, construído na década de 1930, é um marco arquitetônico da capital, tendo abrigado o antigo Palácio Provisório do Governo e a primeira Reitoria da UFG.
Destinação do material e compensação ambiental
Como medida compensatória pela perda do exemplar histórico, está previsto o plantio de 50 mudas de espécies nativas do Cerrado em diferentes pontos da capital.
O destino da madeira também foi definido com critérios institucionais e históricos. Parte do tronco será entregue à UFG e à Justiça Federal para fins de preservação e estudo. Além disso, um fragmento será repassado à família de Boleslaw Daroszewski, imigrante polonês e pioneiro de Goiânia que doou a muda em 1958. O restante do material será reaproveitado em marcenarias públicas ou convertido em compostagem para praças da cidade.










