Quem é de campanha sabe que reta final é um soco no estômago. Teorias de conspiração voando no cérebro, expectativa de derrota maior que de vitória e dúvida. Oh, dúvida cruel.
Não há mais o que fazer. A campanha acabou. Agora é com o eleitor. E esperar mata aos poucos. Só os fortes não sucumbem. Em Goiás, a incerteza desce queimando.
O que mais preocupa o povo, pela ordem.
1
As pesquisas não esclarecem. Elas confundem. Aumentam a angústia.
Os números falam em vitória de Daniel Vilela (MDB) no 1º turno. Mas têm falado mais em 2º turno.
Mas quem vai para o 2º turno? Umas dizem Wilder Morais (PL). Outras falam que será Marconi Perillo (PSDB). Wilder cresce.
Uma questão que tem importância para o 2º turno acontecer: Luis César Bueno (PT) chega a 10%? Vai a 15%?
2
Ter ou não ter 2º turno aí além de uma possibilidade que incomoda os governistas e agita a oposição.
Ela provoca pensamento acelerado. A espiral: depende.
Depende de Ronaldo Caiado (PSD). Depende do voto útil nacional e no Estado.
Voto útil é aquele do eleitor que optará por quem ele acha que vai ganhar.
Ou por quem ele pensa que pode ajudar, sendo eleito, a derrotar quem ele não quer ver eleito. Por vingança. Por pragmatismo político.
Depende do Entorno do DF, local inóspito eleitoralmente para goianos.
O Entorno é Terra do Nem: nem DF, nem Goiás. Na prática, é terra de ninguém: é DF, é Goiás e é nenhum dos dois.
O Entorno tem peso para decidir a eleição. Não só lá. Mas nos outros rincões, o espaço está mapeado. Lá, nem tanto.
3
O cenário nacional, desta vez, conta na eleição local. Como nunca antes.
A polarização entre Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) respinga no Estado.
E tem a situação complicada em que se meteu o ex-governador Ronaldo Caiado.
Candidato a presidente, ele está em guerra com Flávio Bolsonaro. Batendo firme. É duro.
Em Goiás, parte do bolsonarismo faz campanha contra ele e Gracinha Caiado, candidata a senadora. Querem derrotá-los.
A avaliação entre governistas e oposicionistas é a de que Caiado pode ter jogado a eleição de Goiás para 2º turno ao insistir nesse confronto. E colocado em risco a candidatura de Gracinha.
Caiado vai recuar das críticas? Vai anunciar apoio antecipado a Flávio no 2º turno? E como fica o 2º turno em Goiás?
Na quinta-feira um vídeo-ameaça de Pablo Marçal entrou nas redes sociais.
Marçal ameaça: ou Caiado declara agora apoio a Flávio e pode virar ministro da Segurança em eventual governo bolsonarista, ou será tarde demais. Depois…
Pela primeira vez a eleição nacional interfere diretamente na eleição daqui até o último minuto.
4
Senado é uma corrida no escuro e, na base governista de Daniel Vilela, a tensão só aumenta, com as crises internas.
O MDB está incomodado e reagindo nos bastidores para não deixar Daniel perder, doa ao Caiado que doer.
As indefinições deixam todos alertas para trabalhar, mas também naquela inquieta situação de desespero em causa própria.
5
Candidatos a deputado federal e estadual estão cuidando da própria vida e isso impacta nas campanhas majoritárias. Na mesma pegada da causa pessoal e intransferível.
Mais preocupados em garantir o próprio mandato do que em eleger governador e senador, os candidatos proporcionais estão no mundo, desengajados do compromisso com governador e senador.
O governador aperta o arreio.
Peneira
Esta é uma das fases mais incertas da campanha para quem está observando e para quem está dentro das campanhas, vivendo e sofrendo no olho do rodamoinho.
A missão é árdua, por vezes indigesta, mas determinada. A meta é, mesmo no infortúnio da derrota anunciada pelas pesquisas e a percepção da experiência, manter firme a esperança.
É fundamental segurar a tropa. Os soldados. Militância é a vitrine que resta.
Para a imprensa, o tempo é de muita agitação e pouca substância. Há profusão de fofoca e escassez de notícias.
Os sinais de uma coisa e outra estão cruzados. Não há fato acontecido.
Tudo está acontecendo o tempo todo ao mesmo tempo. Porque está assim também com o eleitor. Inda mais o indeciso.
O indeciso é aquele que não tem firmeza no voto e está se movimentando para decidir.
E o movimento do voto é lento. De paquiderme. Ao mesmo tempo, é fabuloso – pela importância republicana ante a exaustão democrática.
O eleitor não engajado está cansado. Apático. Desinteressado. Com raiva da polarização, dos políticos com seus escândalos.
Esse eleitor anda desiludido com a política, e por isso caminha devagar. Se pudesse, nem iria votar. Em vez de votar, abster-se. E ponto. E pode ser que faça isso.
Vivemos no Reino Encantado das Narrativas. E os heróis são vilões da política.
Em vez de escolher o melhor, torcemos. Torcedor não tem razão. Tem paixão.
E nem se trata de separar a verdade da mentira, porque nos bunkers das campanhas até a mentira vira o ativo que ganha mais protagonismo nesta hora.
Vale tudo pelo voto, até dizer a verdade.
Os candidatos estão doidos pelas bocas das urnas.
Resta passar a peneira nos acontecimentos e filtrar. Quem for capaz.
Para quem está na campanha, a hora é de desespero e festa.
Para jornalista, é informação e – ninguém é de ferro – diversão.
Para o povo, seja o que Deus quiser.
