Ronaldo Caiado está sob tensão nacional e estadual. Em xeque.
Sua candidatura a presidente da República não sai do lugar há meses, e de um lugar bem baixo nas pesquisas. Está na faixa de 4%, dependendo do instituto.
E a eleição em Goiás entra em momento crítico, de reta final, com o bolsonarismo dando sinais de que abriu os olhos e, se não voltar a cochilar, pode bagunçar a campanha no Estado. E Marconi Perillo (PSDB) segue no radar.
No domingo, um dia 13, Caiado deixou o Hospital Vila Nova Star, em São Paulo, onde estava internado desde a quinta-feira, 10, após ser diagnosticado com pneumonia. Saiu prometendo saúde.
Na retomada da campanha, encara novas pesquisas que repetem a mesma história, além da sua estabilidade em baixa: a polarização entre Lula e Flávio Bolsonaro. Esta é a notícia que não sai das manchetes, junto com a crise no STF. Não é ele com chances.
Em Goiás, pesquisas internas da estrutura de campanha do governador Daniel Vilela (MDB) já detectaram movimento do bolsonarismo em favor da candidatura de Wilder Morais (PL). Ainda pequeno, mas real.
Assusta os governistas a perspectiva de salto nos índices de Wilder Morais. Sempre houve previsão de que Wilder cresceria. Mas pouco, acreditavam. Continuam a acreditar. Ou torcem por isso. E que seja a tempo de um esforço concentrado que permita vitória no 1º turno.
O cálculo está centrado na avaliação de que a contaminação da eleição local pela nacional é fato incontornável. A prova estaria no efeito Caiado. Além de não decolar com sua candidatura nacional, sofreu abalo na imagem, com a decepção do eleitor com seu desempenho.
Havia expectativa grande de que Caiado se destacaria quando tivesse espaço na mídia, com as entrevistas e debates nos veículos maiores. O que ocorreu foi o contrário. Houve quebra de expectativa, resume um observador da cena eleitoral.
O sentimento é ilustrado por uma expressão saída de uma pesquisa quali para governador: “Ele não é o que falava.” E o que acontece no nacional, reflete-se no estadual. Contamina o ambiente, o que faz com que crises internas pequenas ganhem mais relevância do que deveriam.
As especulações crescentes de bastidores sobre uma possível desistência de Caiado em seguir com a candidatura a presidente, na prática revelam o desejo que prevalece entre governistas. Uma avaliação é de que Caiado, aqui, contornaria as arestas e lideraria sua base na ação final da campanha. Caiado, porém, não é de desistir.
Embora a voz de comando do governo aos cabos eleitorais e assessores continue a ser a de “vamos ganhar no 1º turno”, a realidade que bate à porta é de 2º turno. E com Wilder, embora a preferência inicial fosse embate direto com Marconi Perillo.
Isso se ajustou. Na perspectiva de aliados governistas, nunca foi tão necessário vencer no 1º turno. O bolsonarismo é uma incógnita e a possibilidade de vitória de Flávio Bolsonaro embaça as alianças para depois. Caiado e Gracinha Caiado, candidata a senadora, fizeram críticas duras a Flávio nos últimos meses.
Em Goiás, Caiado teria mais tempo para se dedicar, também, à campanha da esposa, Gracinha Caiado (engajamento interno em favor dela já foi maior), e seguraria as disputas entre os candidatos da base ao Senado (em especial, o incômodo com engajamento a Gustavo Mendanha, PRD) e a deputado federal e estadual.
No jogo armado, a escolha de Caiado fica entre:
1 – perder a eleição para presidente e duas vezes em Goiás (Governo e Senado);
2 – voltar para não perder nada em Goiás, muito menos espaço de poder na sua base.
O risco que corre é a realidade que o adoece. Xeque-mate.
