A crise de imagem do Supremo Tribunal Federal (STF) não se converteu em impacto eleitoral na disputa pela Presidência da República. Segundo a pesquisa Datafolha divulgada no sábado (12/9), mais de oito em cada dez eleitores mantêm a sua escolha inalterada, a despeito das recentes revelações sobre ministros da Corte.
O levantamento expõe um contraste na percepção pública. Para 76% dos entrevistados, os ministros concentram poder excessivo, enquanto 77% apontam que a população confia menos no tribunal hoje do que no passado. Ainda assim, a fidelidade ao voto prevalece no mesmo eleitorado em que 71% reconhecem o STF como uma instituição essencial para a democracia.
Efeito residual sobre as escolhas
O impacto das suspeitas sobre as urnas é residual nos dois episódios avaliados pelo instituto:
Quando o assunto é o caso Alexandre de Moraes e Daniel Vorcaro, 85% dos entrevistados preservaram o voto. Apenas 4% declararam troca de candidato, enquanto 7% relataram dúvidas sobre a opção feita e 4% não souberam responder. O caso era do conhecimento de 66% dos eleitores.
Já sobre as suspeitas sobre André Mendonça, 86% não alteraram a preferência. A troca efetiva de candidato somou 2%, 7% relataram indecisão posterior e 4% não responderam. O alcance deste episódio foi menor: 45% disseram saber do assunto.
Polarização
A repercussão das denúncias reflete a divisão política do país. No caso de Moraes, o nível de conhecimento alcançou 75% entre os eleitores de Flávio Bolsonaro (PL), contra 61% entre os apoiadores do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A disparidade evidencia a circulação mais intensa do tema na oposição, que adota a crise no Judiciário como parte do discurso contra o governo federal.
Coleta e metodologia
O resultado retrata o cenário captado entre os dias 8 e 10 de setembro. Como o trabalho de campo se encerrou na quinta-feira, a pesquisa não reflete os desdobramentos ocorridos no fim de semana.
O Datafolha ouviu 2.002 eleitores em 125 cidades. A margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou para menos, sob nível de confiança de 95%. O levantamento, contratado pela Folha de S.Paulo e pela TV Globo, está registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) com o número BR-01833/2026.
