A atuação do Instituto Veritá nas eleições de 2026 passou a ser alvo de uma série de decisões da Justiça Eleitoral. Pesquisas do instituto tiveram a divulgação proibida em 13 estados e no Distrito Federal após tribunais identificarem problemas relacionados à metodologia dos levantamentos.
Entre os pontos questionados estão a composição das amostras, a distribuição dos entrevistados por faixa de renda e escolaridade e a falta de informações consideradas suficientes sobre a origem e o tratamento dos contatos utilizados nas entrevistas.
Decisões recentes ampliam pressão
Na quarta-feira (12), os TREs do Rio Grande do Norte e de Sergipe determinaram a suspensão de pesquisas do Veritá para as disputas pelo governo estadual e pelo Senado.
Em Sergipe, a Justiça Eleitoral identificou diferença relevante na participação de pessoas com ensino superior entre a amostra do instituto e os dados oficiais usados como referência. O grupo representava 31,1% dos entrevistados na pesquisa, enquanto a PNAD Contínua de 2025 registra 19,2% da população com esse nível de escolaridade. No cadastro do TSE, o índice é de 12,82%.
O Rio Grande do Norte apresentou situação semelhante. A pesquisa analisada pelo TRE tinha 34% de entrevistados com ensino superior, diante de 13,73% registrados no cadastro eleitoral.
O tribunal também apontou que 25% da amostra estava concentrada na faixa de maior renda, percentual considerado acima do identificado em levantamentos de outros institutos.
Veritá recebe multa de mais de R$ 58 mil
No Rio Grande do Norte, a decisão teve ainda impacto financeiro. O Veritá foi multado em mais de R$ 58 mil por reincidência.
Segundo a decisão, o instituto já havia sido penalizado anteriormente no estado por falhas de natureza metodológica. A nova determinação, portanto, ocorre em meio à repetição de questionamentos sobre a composição dos levantamentos.
As contestações à atuação do instituto também alcançaram a forma de realização das entrevistas.
Decisões judiciais no Piauí, Amazonas e Pernambuco questionaram a ausência de informações suficientes sobre a geração, seleção e abordagem dos contatos telefônicos utilizados nas pesquisas.
No Tocantins, o TRE considerou insuficiente a indicação da fonte pública dos dados empregados no levantamento. A falta de clareza, segundo a decisão, dificultaria a fiscalização sobre a pesquisa.
O processo analisado pelo tribunal também registrou uma inconsistência no calendário. A coleta ocorreu de 29 de março a 4 de abril, enquanto a divulgação estava prevista para 3 de abril, antes do encerramento das entrevistas.
Instituto contesta questionamentos
O proprietário do Veritá, Adriano Silvoni, defendeu o instituto em declaração ao portal Metrópoles. Segundo ele, mais de 200 registros de pesquisas foram realizados e parte das impugnações apresentadas contra os levantamentos acabou revertida.
Silvoni também contestou decisões de tribunais eleitorais e afirmou que o instituto possui uma metodologia própria. Na avaliação dele, o histórico de pesquisas realizadas em eleições anteriores demonstra a capacidade de acerto do Veritá.
O que observar
A sequência de decisões amplia o escrutínio sobre pesquisas eleitorais registradas pelo Veritá. Além das divergências na composição das amostras, os processos colocam em discussão a transparência dos procedimentos usados para selecionar entrevistados e produzir os levantamentos.
O próximo ponto de atenção será o andamento das ações nos diferentes TREs e os eventuais recursos apresentados pelo instituto contra as decisões que restringiram a divulgação das pesquisas.
