Caiado lá pro Brasil, Lula cá em Goiás. Dois candidatos a presidente, duas candidaturas sem chão firme.
Nesta quarta, 1º, Ronaldo Caiado (PSD) e o presidente Lula (PT) polarizaram no infortúnio de seus dilemas e crises na base.
Ronaldo Caiado apresentou seu candidato a vice, Gilberto Kassab, presidente do partido ao qual chegou há pouco e dentro do qual ainda trabalha para ser totalmente aceito como cristão convertido. Kassab vive cumpre a missão final.
O dia de Caiado e Kassab juntos na mesma chapa era para ser um grande evento para a bomba de um grande fato novo. Nem uma coisa, nem outra. Uma bombinha de São João no meio do bombardeio da polarização Lula versus Flávio Bolsonaro (PL).
O fato já era conhecido de todos, só foi consumado. E o ato do anúncio mostrou poucas lideranças da própria legenda, e ausência de nomes de destaque político à parte, respaldando.
Quase ao mesmo tempo o presidente nacional do PT, Edinho Silva, colocava mais fogo nas vaidades estremecidas de lideranças petistas de Goiás, e no processo avançado de indefinição do candidato do partido a governador do Estado.
Ao PT, não basta não ter candidato. Tem que transformar a escolha em bala, tumulto e desgaste. Um baita case político e de comunicação às avessas.
A Caiado, o que resta fazer? O que começou como desafio de ficar conhecido no Brasil e crescer nas pesquisas, ficou perdido no meio do caminho. No discurso do meio: nem Lula, nem Flávio. Quem? A resposta até agora do brasileiro: nem ele.
Caiado achou um ponto e insiste: no 2º turno, ganha. Essa tem sido a linha de resistência a Lula, e o único contraponto real a Flávio.
Na perspectiva da diferença moral, Caiado em nenhum momento procurou mostrar o que o separa de Flávio, como faz com contundência em relação a Lula.
Moralmente falando, o que é condenação ao petista, é relatividade a Flávio?
A explicação para o nó também não é moral. É tática, jogo político pragmático. Caiado não quer espantar o eleitorado bolsonarista. Tem sua razão.
E assim, condena o PT do Master, mas não condena o PL de Vorcaro.
A dificuldade de Caiado não está na disputa externa. Persiste nos dilemas internas de condução da candidatura. Como se posicionar, como dar o salto necessário.
A receita do marqueteiro de Caiado não faz pequi para o gosto dos brasileiros.
E o PT em Goiás é um prédio em implosão lenta e reverberada.
Nos últimos dias, as palavras explodiram mais bases de sustentação lógica para quem quer montar palanque para ajudar Lula.
Na vontade de “ajudar”, estão todos na eletiva atrapalhando a reeleição do companheiro presidente.
A presidente da legenda, Adriana Accorsi, divulgou nota emblemática.
“Ao contrário do que alguns tentam fazer contra a minha decisão…”, diz ela. Nas entrelinhas, reconhecimento explícito da crise.
“Alguns” atentam contra Adriana no PT? Mas quem, Adriana?
“Os dirigentes estaduais deveriam seguir o exemplo do Presidente e respeitar a resposta das mulheres…”
“…Esse grupo de homens que tenta me forçar a desistir da reeleição a deputada federal se incomoda com a liderança feminina no partido e com protagonismo de uma mulher parlamentar.”
Os “dirigentes estaduais”, esse “grupo de homens”. Eles é que lutam, portento, contra ela em uma luta que é também de gênero.
Está dito, com todas as letras. Sem nomes diretos, porém com todos os “dirigentes estaduais” sob suspeita.
Há uma guerra interna no PT e ela é também de gênero. um grupo de homens petistas contra (um grupo de?) mulheres petistas.
Homens que (diz a nota de Adriana) deveriam “respeitar a resposta das mulheres que, como eu e a companheira Marília Campos em Minas Gerais, assumiram o compromisso de luta através do mandato parlamentar”.
Guerra de gênero dentro do PT. Fato nacional comprovado para Lula administrar. Boa ajuda.
O ato matador de tudo está nesta informação de O Popular, nesta quinta, 2: “Edinho Silva afirmou (em encontro na manhã do dia anterior) que o nome do ex-deputado Luís César Bueno não conta, ao menos até o momento, com respaldo em Brasília.”
O pré-candidato do PT em Goiás é desqualificado pelo próprio presidente do PT nacional. Quem precisa de adversário?
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