A disputa pela sua vice é um fato positivo de campanha para o governador Daniel Vilela (MDB), pré-candidato à reeleição.
Aponta perspectiva de poder a ser renovado e alimenta o noticiário com fatos de campanha enquanto ele governa. Ocupa espaço. E espaço ocupado por um candidato é espaço perdido pelo adversário.
Nos bastidores do governo, a escolha do nome é tratada como questão pacificada por princípio: o nome será o que o ex-governador Ronaldo Caiado quiser.
Há o verniz de que será uma escolha de Caiado e Daniel. Mas na prática o ex-governador é que baterá o martelo. Prerrogativa que ele estabeleceu e da qual não abre mão. Todos dizem.
Naturalmente não fará nada a ferro e fogo. Vai envolver Daniel, que por sua vez não passará recibo de nada. Por ora é essa a pactuação subliminar.
E aí entram fatores externos variados. Se a campanha estiver bem, provavelmente o escolhido será um; se não estiver, será outro. O balanço do rio determinará o ritmo da canoa, pra não virar. Nessa linha.
Deixar o anúncio para a convenção é estratégico porque essa discussão agora é boa pro governo e boa pra dar tempo ao tempo, na consolidação de cenários e negociações em curso.
Ocorre que a disputa está animada e o presidente licenciado da Faeg, Zé Mário Schreiner, vence com larga vantagem.
Zé Mario, no estilo trator, vai tratorando tudo e todos. Arregimenta grupos, forma batalhão de apoios, cria expectativas.
Com tanto barulho, festa e agito, daqui a pouco será difícil dizer ‘não’ a ele. Caso não seja o preferido, que fazer então?
O anúncio do apoio do Fórum Empresarial (um organismo social rico, articulado e influente em Goiás) ao seu nome funciona como mais carvão na fogueira que mistura vaidade e disputa pelo poder imediato e com vistas à sucessão de 2030.
Partindo-se do pressuposto de que todos os governistas não têm dúvida da reeleição de Daniel, o que está em jogo já é lá (daqui quatro anos), muito além de cá.
Por isso Caiado é taxativo em deixar claro que ele é que escolherá o nome. Por isso o cuidado com o tema. Por isso a dança de bastidores.
Porque Caiado pode querer voltar a ser candidato a governador, dependendo do resultado da disputa pela a Presidência agora. Pode querer eleger Gracinha Caiado. Pode muita coisa.
E Daniel também faz seus planos. Quem ele quer que o suceda? Mesmo que a decisão seja de Caiado, ele importa e ele pode querer tentar de alguma forma interferir. Ainda que de leve, com jeitinho.
Com tais considerandos, e com estrutura e força política visível para agir por conta própria se virar vice, Zé Mário é o ideal?
Este fato pesa nas escolhas e torna os movimentos de Zé Mário mais curiosos.
Porque quanto mais ele se movimenta e mais alimenta o clima de fato inevitável, também mais se expõe como líder à parte, com robustez inclusive política em particular.
O que, por sua vez, se o qualifica (está preparado inclusive para ser o governador), igualmente serve de alerta para o perigo que representa a possíveis projetos políticos de grupos constituídos, que já têm dono e projeto.
Zé Mário tem vida própria. Pode muito bem declarar independência em relação aos padrinhos políticos Daniel e Caiado quando quiser, caso queira, já que tem seu próprio grupo (ou grupos) e apoios estratégicos na sociedade.
Político quer obediência, lealdade e dependência. Quer alguém que se sujeite, e não um sujeito apto a se rebelar a qualquer momento.
Ao usar como estratégia de campanha o tratoraço, em vez da tradicional sutileza que uma definição de vice demanda na tradição, Zé Mário expõe suas armas e armadas, mas principalmente se expõe aos olhos dos donos do poder e seus interesses arraigados.
Um pouco nesse ponto, mas por razões diferentes, se encaixa o presidente da Assembleia Legislstiva de Goiás, Bruno Peixoto (União Brasil).
Bruno sonha ser vice. Mas como entregar mais poder a ele, ante o que ele fez com o poder que Caiado proporcionou, e diante do que ele tem feito?
Quem confia em Bruno Peixoto? Quem confiaria o futuro a ele? No governo, ninguém.
Outros nomes, nesse ponto, oferecem menos risco a Daniel e Caiado. E estão tratando de mostrar que são de obedecer, e não de mandar e comandar.
Luiz do Carmo reitera em entrevistas que quer ser apenas vice, e que segue orientação e decisão de grupo. E que fará isso em 2030. Recado claro.
Adriano da Rocha Lima vai na mesma direção, reforçando sua capacidade de gestão. Técnico-gestor assumido, não se movimenta. Visto como nome preferido de Caiado, trata de reforçar isso e a relação de confiança mútua sempre. São primos.
São este os nomes mais citados. E cotados. E esta a cena do jogo.
Embora Caiado deixe transparecer, em conversas reservadas, outra coisa ainda.
Que pode ter surpresa nesse processo de escolha do vice. Pode ser que nenhum desses seja o escolhido. O nome pode muito bem estar guardado e preservado.
Para o momento oportuno. Ou para a conveniência da convenção.
