O foco é derrotar o PT? O PL? O Centrão? Ou o foco é moralizar o País?
Ou seria – o foco – no resultado da eleição?
Temos muitos arautos da moralidade na política. Que atacam. Que vociferam. Que se erguem no palanque, no púlpito, diante dos holofotes.
Quando vejo mais um, só respiro, espero e digo pra eu mesmo ouvir: vai dar mer… você sabe. Pra ele, claro.
Infalível. Regra sem exceção – a exceção aos desregrados.
Quem não tem pecado que atire a primeira pedra.
Basta isso pra resumir qualquer tratado sobre o tema na política.
Na vida, é um sonho, uma meta. Uma utopia. Depende do seu grau de desilusão – ilusão, se preferir escrever aí.
Posso nominar deputados, prefeitos e governadores que, tempos em tempos, testemunhei gastarem saliva e a paciência do eleitor com tratados sobre lisura moral e impoluta conduta cívica própria diante da ignomínia e desfaçatez do adversário.
Assim, sem piscar. Sem titubear. Sem medo de pecar. Pecado é perder a ocasião.
Todos, no devido tempo, foram do céu ao chão com a convicção inabalável dos destinos históricos. Mas foram.
Morrem. Embora ocorra de conterem, como que regurgitamos pela terra, pela vida que é a vida.
Vivem e morrem nas contradições. Renascem nas memórias vãs. O povo no poder, governa.
Normalmente ressurgem sem o dom e a dívida da humildade para reconhecer o erro, pagar o preço e se penitenciar.
Ao contrário: comumente o fazem voltando ao local do crime, dobrando a moral nos discursos e se revendendo com mais veemência e maior autoridade ainda.
Não é que não aprendem. É que acreditam mesmo no personagem que criam pra fazer bonito diante do eleitor e dos incautos cidadãos. É que não são de verdade: apenas são ficção pura.
Em Goiás, basta puxar pela memória ou ir nos arquivos que estarão lá a verborragia memorável deste e daquele – que se opõem, arrotando a maior moral possível diante do outro – e a prova de que nunca foram quem juravam ser.
Uns pelos outros, são todos impávidos colossos imaculados de corrupção e malefícios humanos. Santos, por assim dizer. Jesus não faria melhor: não voltaria (ou votaria) senão neles.
Essa casta política não tem ideologia. Tem coragem, cara de pau, lugar de voz, quem ouça.
Quando não creem no que pregam, psicopatas de berço ou criação, o fazem por estratégia cínica. A vida ensina, não dá consciência. A sobrevivência, sim.
São hipócritas. Mas, e daí? São eleitos, pois há sempre quem lhes dê voto. Os devotos. Os eleitores.
Por confiança e fé. Emoção. Por semelhança espiritual. Pra votar e ser votado, caráter não é obrigatório.
Os que se decepcionam com os políticos merecem vênias.
Sendo sinceros, os frustrados são como almas no purgatório: não estão perdidos pra sempre.
Não sendo sinceros, são as almas penadas da escuridão humana: assombram, e não são assombrados.
Quem sou eu para julgamentos? Não sou. Registro.
Não tenho pedras.
E minhas mãos, elas cobrem meu choro. Em vão, por certo.
Não sou fruto do desespero.
Desistir: nem passo perto.
Não me derroto. Não quedo.
Elejo a esperança. Nas urnas, desperto.
Os políticos que atiram a primeira pedra não existem, na realidade dos fatos. Mas como atrapalham o Brasil.
A realidade dos fatos sou eu. E você?
