Eis que senão, de repente…
Temos aí a nova rodada da pesquisa Quaest, com leve recuperação de Lula. E, em seguida, os áudios de Flávio Bolsonaro pedindo dinheiro a Daniel Vorcaro para pagar o filme-propaganda sobre seu pai, Jair.
Dois fatos recentes que mostram à direita e à esquerda que Lula tem poder de reação, que o campeonato está longe do fim – há muito tempo até as convenções e as urnas – e que de certo mesmo em campanha só as nuvens no céu.
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Para o goiano Ronaldo Caiado, duas notícias que dão o que pensar.
A pesquisa dá mais sinais do que está claro desde que ele se lançou pré-candidato a presidente da República: seu adversário agora não é Lula; é Flávio Bolsonaro.
Visão estratégica.
Os áudios apontam: a cavalo arriado não vira as costas.
Questão de oportunidade.
Uma coisa puxa a outra, de forma inevitável e implacável.
A projeção de segundo turno da Quaest que mede a diferença entre Caiado (35%) e Lula (44%) camufla a realidade.
Se não passar do primeiro, não existe segundo turno pra Caiado. Óbvio. O mais difícil e imprescindível pra ele é o primeiro turno, não o outro. Lógico.
Uma avaliação corrente no meio político desde o fim da janela partidária – que tirou Tarcísio de Freitas da disputa nacional – era de que Flávio sofreria forte bombardeio do PT e que não se sustentaria como candidato.
O bombardeio chegou. À parte as implicações legais, o áudio é tiro certeiro de campanha.
O caminho para Caiado se posicionar dentro da direita está aberto. Seu vídeo se posicionando sobre os áudios foi considerado tímido, por contrastar com a verborragia dura que adota contra possíveis casos de corrupção.
Caiado deu benefício da dúvida a Flávio, o que não costuma fazer com os adversários. E pregou unidade da centro-direita, num claro gesto de advocacia em defesa do próprio patrimônio político-Ideológico.
Dá-se como certo que haverá bombardeio também em direção a Caiado. Isso é campanha. Talvez este seja um ponto considerado na ponderação da reação caiadista. Isto e os outros, estratégicos: não queimar pontes com o bolsonarismo.
Só pra deixar claro: bombardeio em direção ao PT já vem sendo feito há anos. E mesmo com ele, Lula está onde está. É um dos polos e a tendência é que permaneça assim e vá para o segundo turno. É o cenário mais realista.
Por isso fica mais difícil imaginar que Caiado poderá crescer por aí, no vácuo da queda do presidente. E por esta razão que o alvo dele, mesmo que não admita publicamente, é derrotar Flávio antes de disputar com Lula.
Caiado tem apertado a dose no discurso de oposição. Contra Lula, já tem um tom. Já está acostumado e tem um foco. Não tem discurso de País pronto, que o tire da bolha de aprovação goiana, apenas. Mas está costurando um. Isso está em curso.
O que ele não tem por ora é um discurso contra Flávio. Chegou até a esboçar um discurso contra sem ser escancaradamente contra. Onde dizer que Flávio não tem experiência e preparo. Mas não pegou. Não funcionou.
Nesse ponto, Caiado mais titubeia do que se posiciona. Falta caminho. Norte.
O mais curioso é que a contundência de Caiado ao falar dos adversários se contradiz no comportamento que adora com os bolsonaristas.
Caiado não é Caiado na hora de enfrentar o bolsonarismo. Como vencer Lula no jogo titular se, na preliminar que é a pré-campanha, acaba jogado para escanteio?
Há tempo para agir e reagir. E tempo de sobra para a guerra atingir escala mais dura, com novas emoções e denúncias cruzando os ares como bala perdida. Tudo pode acontecer, inclusive nada. Tudo bem. Mas…
A hora do arrocha está passando.
