A partir desta quinta-feira (14), a periferia de Aparecida de Goiânia se torna o palco da segunda edição do Festival Curta Aparecida. Consolidando-se como um importante polo de difusão audiovisual no interior de Goiás, o evento registrou um crescimento expressivo em 2026: foram 513 obras inscritas de todas as regiões do Brasil, um salto de quase 60% em comparação ao ano de estreia.
Com o tema “Cinema Comunitário”, o festival busca desmistificar o acesso à produção cinematográfica e promover um diálogo direto entre as obras e a realidade local. Ao todo, a curadoria selecionou 33 filmes que serão exibidos gratuitamente na sede do Coletivo Justina, no Setor Marista Sul. A proposta central, segundo a organização, é permitir que o público se reconheça nas telas por meio de narrativas que exploram sotaques, paisagens e temáticas sociais diversas.
Programação
As exibições estão divididas em três eixos principais. As mostras de “Ficção” e “Documentário” ocorrem diariamente a partir das 19h, apresentando um panorama da produção nacional contemporânea. Entre os destaques locais, figuram produções goianas como o curta Álbum de Família, de Victor Vinicius, e Tião Personal Dancer, de Aristótelis Tothi, que traz para a tela o ambiente dos salões de forró em Goiânia.
Uma das novidades desta edição é a Mostra Infâncias, que ocorre no dia 15 de maio, voltada especificamente para alunos de projetos sociais e escolas da rede pública de Aparecida de Goiânia. A iniciativa reforça o caráter formativo do evento, levando o cinema para dentro do cotidiano escolar através da mostra Aparecidinha, dedicada ao público infantil e estudantes da Educação de Jovens e Adultos (EJA).
Destaques
Samba Infinito, de Leonardo Martinelli, 15 min, 2025, Rio de Janeiro. Durante o Carnaval carioca, um gari enfrenta o luto pela perda da irmã enquanto cumpre suas obrigações de trabalho. Em meio à folia dos blocos de rua, ele encontra uma criança perdida e decide ajudá-la.
Os pedais de Pedro, de Vinicius di Castro, 2025, Minas Gerais. Em meio a uma infância conturbada na favela onde vive, Pedro, um menino de 10 anos e apaixonado por bikes, encontra esperança e um motivo para sonhar, a conquista da sua primeira bicicleta
Álbum de Família, de Victor Vinicius, 20 min, 2025, Goiás. Num fim de semana comum na casa da avó, as crianças descobrem que as histórias da família podem ser tão reais quanto misteriosas.
A mensagem na garrafa, de Luana Ferreira, 08 min, 2025, Rio de Janeiro. Jorge, pai solo, transforma a hora de dormir em uma aventura ao contar a história de uma mensagem numa garrafa viajando em um cometa de plástico. Otávio se encanta com a história , até que adormece e Jorge celebra a vitória de uma noite tranquila.
Tarefa, de Thiago Rosestolato, 20min, 2025, Rio de Janeiro. Os irmãos Téo e Arthur são forçados a estudar diariamente em casa.
Cajuína, de Mapa Macedo, 16 min, 2025, Bahia. Na cabeça, que é terra fértil, a memória se faz raiz e a semente é o mistério da encantaria entre o céu e a terra. Através da sutileza de um simples encontro na cidade de Cachoeira, duas gerações semeiam essa sabedoria.
Trajeto do Desmoronamento, de Helena Antunes, 14 min, 2025, Rio Grande do Norte. Em meio à destruição causada pela especulação imobiliária, uma mulher solitária percorre o trajeto de suas próprias ruínas. Ao explorar escombros físicos e emocionais, encontra uma figura enigmática que a desafia a confrontar seus demônios internos e algo além da sua própria sobrevivência.
Tião Personal Dancer, de Aristótelis Tothi, 20 min,2026, Goiás. Sextou em Goiânia e tem forró por toda cidade. Tião, um dançarino profissional, faz seus atendimentos em casas de dança. Enquanto Reginaldo e Cida se jogam no salão e esperam por algo a mais até o final da noite.
Fomento à produção local
Mais do que uma janela de exibição, o Curta Aparecida se posiciona como um festival não competitivo focado no intercâmbio entre realizadores. O objetivo é estimular que novos produtores da região iniciem suas próprias trajetórias no audiovisual, discutindo estratégias de distribuição e viabilidade técnica para o cinema feito fora dos grandes eixos comerciais.
O festival conta com o suporte do Fundo de Arte e Cultura do Estado de Goiás e da Secretaria de Estado da Cultura, garantindo que toda a programação — que segue até o dia 16 de maio — permaneça com entrada franca e acessível à comunidade.
