Um vídeo gravado por uma testemunha mostra o momento em que Júlio Cesar de Araújo, 55 anos, já caído no chão e recebendo ao menos cinco disparos. O autor dos tiros, José Alves Carneiro, 57 anos, agora responde por homicídio qualificado e porte ilegal de arma de fogo de uso restrito. O juiz Cristian Assis, da Vara Criminal de Ceres, aceitou a denúncia do Ministério Público de Goiás (MPGO) nesta semana e tornou o fazendeiro réu.
O crime ocorreu no dia 10 de abril. Imagens de câmeras de segurança mostram os dois amigos de longa data, cerca de 25 anos de convivência, discutindo dentro da loja do empresário. Em seguida, eles partem para a área externa e trocam socos e chutes. Uma funcionária tenta intervir, mas a briga prossegue. Júlio Cesar cai e, com a vítima no chão, o atirador dispara. José Alves Carneiro então sobe em uma caminhonete e deixa o local. A vítima não resistiu.
O MPGO aponta que o desentendimento começou com uma dívida. O empresário cobrava o fazendeiro, que por sua vez afirma ter emprestado dinheiro à vítima na pandemia e que o amigo passou a negar o compromisso. O órgão classifica o assassinato como motivado por motivo torpe e incluiu o crime de porte ilegal de arma de uso restrito, com base em laudos que atestam a aptidão do revólver calibre 9mm e das munições.
José Alves Carneiro se apresentou à polícia dias depois, com advogado. O MPGO pede que ele seja julgado pelo Tribunal do Júri e fixou uma indenização mínima de R$ 100 mil por danos morais aos familiares de Júlio Cesar. A defesa afirmou, em nota, que o processo é o momento adequado para esclarecer os fatos e que se manifestará “de forma técnica e fundamentada” sobre as circunstâncias do caso. O juiz Cristian Assis considerou haver indícios de autoria e materialidade do crime e que a denúncia atende aos requisitos legais.
