A ideia de que vamos ter um embate em Goiás entre um governo do passado e um governo do presente assusta em vários sentidos.
Marconi Perillo (PSDB) faz campanha hoje como se a eleição fosse acontecer em 2010.
E Daniel Vilela tem aí a oportunidade e o palanque para simplesmente dizer que vai dar sequência a um governo que, hoje, tem quase 90% de aprovação.
(E o Wilder Morais (PL)? E o PT?)
Marconi puxa pela memória do goiano o que não está mais fresco: programas de seus quatro governos, que vivem distantes no tempo e na percepção de quem vai votar em outubro.
E coloca tudo isso em confronto com programas e ações que estão na vitrine, com todos vendo na propaganda (adianta reclamar – quem fazia o mesmo, pra se dizer o mínimo), mas principalmente, sentindo na pele de seu dia-a-dia.
Do ponto de vista eleitoral, a escolha de comparar governos é uma estratégia no mínimo questionável. Mas o marqueteiro deu o tom, ou avalizou, e o tucano está em campo levantando sua bandeira.
Na prática, outro ponto chama a atenção. As prédicas do passado são as melhores para o presente? Repetir o que foi feito lá atrás é o melhor para o futuro de Goiás? Deslocar o passado como referência histórica para dar-lhe lugar como motor de um novo tempo é o que precisamos para hoje?
Daniel tem um governo presente na lembrança e na vida imediata dos goianos e, mesmo assim, vende futuro. Como uma vez vendeu um jovem Marconi ante um velho PMDB. Daniel é o novo e a continuidade do que dá certo. É o que está impresso na cabeça das pessoas.
Um debate sobre o futuro que merecemos e podemos ter seria um avanço. Uma discussão sobre quem tem mais razão, o passado ou o futuro, está mais para uma âncora que impede o navio a seguir em frente.
É o futuro, idiota! Eis a atualização da famosa frase enfatizada, na eleição americana, que o importante para o eleitor e os cidadãos era a economia.
Podemos dizer: o que importa para Goiás se este ou aquele candidato tem razão? Importa a vida. O que vamos fazer da vida e o que vão fazer do nosso Estado.
Pior ainda é imaginar que Wilder Morais (PL) nem para o debate se apresenta. A ele não interessa debater, apresentar alternativas, pouco importa passado, presente ou futuro.
Pelo menos é o que ele diz ao não dizer nada sobre nada. Ao basear sua campanha apenas e unicamente na perspectiva do milagre bolsonarista.
Aquele milagre de enchente, que na reta final da campanha pega um mero córrego do cerrado e de repente o transborda com uma avalanche de votos de chegada de boca de urna.
Wilder não quer conversa. Como estratégia, esconde-se até que outubro chegue. E o PT? O PT não debate, não combate, não rebate.
Não defende Lula, não faz oposição, não tem nem mesmo um nome para apresentar como referência. Logo, não tem discurso, nem propostas para Goiás. Está no jogo mas desviando-se da bola em campo.
Neste momento, o futuro de Goiás é Daniel Vilela. O passado é Marconi Perillo. O nada a ver é Wilder. E o nada com nada, o PT.
A ironia das ironias? PL e PT, polarizados no Brasil, em Goiás estão juntos e misturados na ausência de relevância eleitoral e de governo. É o cenário hoje. O triste retrato do momento.
