O ex-governador de Goiás e pré-candidato ao governo estadual, Marconi Perillo (PSDB), recebeu cerca de R$ 14,5 milhões em pagamentos do Banco Master entre os anos de 2021 e 2025. A informação, baseada em dados da Receita Federal enviados à CPI do Crime Organizado do Senado, detalha a relação contratual do tucano com a instituição financeira, que atualmente é centro de investigações da Polícia Federal.
De acordo com as informações apuradas, Perillo atuava como consultor por meio de sua empresa, a MV Projetos e Consultoria. O trabalho consistia na análise de cenários políticos para a diretoria do banco. A remuneração mensal girava em torno de R$ 160 mil brutos, valor similar ao que o político recebia na Companhia Siderúrgica Nacional (CSN), onde trabalhou desde 2019, após deixar o comando do Estado e não obter êxito na disputa ao Senado. As informações são de Fabiana Pulcinelli do Jornal O Popular
Detalhes do contrato e rescisão
O vínculo com o Banco Master foi estabelecido em agosto de 2021, a convite de Augusto Lima, então CEO da instituição. Segundo a equipe de Marconi, a contratação ocorreu em um momento de ascensão do banco, que buscava ampliar conexões com o meio político e mitigar resistências no mercado financeiro.
Em julho de 2025, o contrato foi encerrado para que o ex-governador pudesse focar em sua pré-campanha. O distrato incluiu um pagamento de aproximadamente R$ 7 milhões. A defesa do político ressalta que as atividades foram lícitas, declaradas e realizadas em um período em que Marconi não ocupava cargos públicos, o que descartaria conflito de interesses.
Investigação e cenário político
O Banco Master está sob o radar das autoridades. Daniel Vorcaro, sócio da instituição, e Augusto Lima foram alvos da Operação Compliance Zero. Vorcaro cumpre prisão desde o mês passado, enquanto Lima chegou a ser preso preventivamente em novembro de 2024. Marconi afirma não ter tido contato com Vorcaro, mantendo relação apenas com Lima.
O caso repercute intensamente nos bastidores da política goiana. Enquanto aliados de Perillo argumentam que a lista de consultores do banco inclui diversos nomes de peso do cenário nacional — o que “normalizaria” a prestação de serviço —, adversários políticos, ligados ao grupo do governador Daniel Vilela (MDB), apostam que o episódio pode elevar a rejeição do tucano nas pesquisas eleitorais, associando sua imagem a novos escândalos.
Outros políticos envolvidos
A lista de pagamentos do Banco Master não se restringe a Marconi Perillo. O relatório aponta que a instituição repassou um total de R$ 65,9 milhões a diversas personalidades políticas e do Judiciário. Entre os nomes citados está o também goiano e ex-ministro Henrique Meirelles, que recebeu R$ 18,5 milhões por serviços de consultoria.
Também figuram na lista o ex-presidente Michel Temer, os ex-ministros Guido Mantega, Fabio Wajngarten e Ricardo Lewandowski, além do presidente do União Brasil, Antônio Rueda, e do ex-prefeito de Salvador, ACM Neto.
