A Assembleia Geral da ONU aprovou nesta quarta-feira (25) uma resolução que declara o tráfico de escravizados africanos como o crime mais grave contra a humanidade. Apenas Estados Unidos, Israel e Argentina votaram contra a medida, apresentada por Gana. Outros 123 países apoiaram a proposta, enquanto 52 se abstiveram, entre eles o Reino Unido e nações da União Europeia.
O presidente de Gana, John Dramani Mahama, criticou os países que se opuseram à medida, acusando-os de tentar “normalizar o apagamento da história da população”. O ministro das Relações Exteriores ganês, Samuel Ablakwa, afirmou que a resolução exige responsabilização. O professor Justin Hansford, da Universidade Howard, classificou a aprovação como o maior avanço da ONU no reconhecimento da escravidão transatlântica como crime contra a humanidade e no pedido de reparações.
A resolução, não vinculante, pede que os Estados-membros dialoguem sobre reparações, que podem incluir pedidos formais de desculpas, devolução de artefatos roubados, indenizações financeiras e compromissos para que os atos não se repitam. A votação ocorreu em sessão especial que marcou o Dia Internacional em Memória das Vítimas da Escravidão e do Tráfico Transatlântico de Escravos, celebrado em 25 de março.
O Secretário-Geral da ONU, António Guterres, afirmou que são necessárias “ações muito mais ousadas” de mais Estados para confrontar as injustiças históricas. Os Países Baixos seguem como a única nação europeia a emitir um pedido formal de desculpas por seu papel na escravidão.
O alinhamento de Argentina, EUA e Israel na votação reflete uma aproximação política: desde que Javier Milei assumiu a Presidência, o país tem votado na ONU de forma mais alinhada com Washington e Tel Aviv. Essa postura se intensificou com o retorno de Donald Trump à Casa Branca.
