A corrida para o Palácio do Planalto em 2026 sofreu uma alteração significativa nesta segunda-feira (23). O governador do Paraná, Ratinho Junior (PSD), anunciou oficialmente que não disputará a Presidência da República, optando por concluir seu mandato à frente do Executivo estadual. Com a decisão, o cenário interno do PSD se afunila, e o nome do governador de Goiás, Ronaldo Caiado, ganha tração como o principal ativo da legenda para a sucessão nacional.
A desistência de Ratinho Junior ocorre num momento estratégico. De acordo com a legislação eleitoral, chefes do Executivo que desejam concorrer a outros cargos precisam renunciar aos seus mandatos até seis meses antes do pleito — neste ciclo, o prazo final é o dia 4 de abril. Ao confirmar que permanecerá no cargo, Ratinho retira do tabuleiro o nome do PSD que, até então, apresentava o melhor desempenho nas pesquisas de intenção de voto.
O novo cenário no PSD
Dentro da cúpula do PSD, liderada por Gilberto Kassab, a avaliação é que Ronaldo Caiado possui um perfil com “marcas” mais definidas para uma campanha nacional. Interlocutores do partido apontam que o desempenho de Caiado em áreas sensíveis ao eleitorado de centro-direita, como a segurança pública e a interlocução direta com o setor do agronegócio, são diferenciais competitivos. Além de Caiado, o governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite, permanece como uma opção interna, embora Caiado venha recebendo maior atenção dos articuladores.
Dados da última pesquisa Quaest, realizada em março, mostram que o desafio para qualquer nome da chamada “terceira via” é consolidar-se diante da polarização. Ratinho Junior aparecia com 7% das intenções de voto, enquanto Caiado registrava 4% e Leite 3%. No entanto, a análise qualitativa interna do PSD sugere que Caiado possui maior potencial de crescimento entre eleitores que se identificam como de direita, mas que não estão totalmente alinhados ao bolsonarismo.
Polarização
A decisão de Ratinho Junior também foi influenciada pelo avanço da candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL), que se consolidou como o principal nome da oposição ao presidente Lula (PT). O governador paranaense viu seu espaço comprimido: entre os eleitores de direita não bolsonaristas, sua preferência caiu de 72% em dezembro para 64% em março.
Enquanto Eduardo Leite e Ronaldo Caiado ainda definem seus próximos passos antes do prazo de abril, Ratinho Junior já traçou seu destino pós-governo. Segundo nota oficial de sua assessoria, o governador planeja retornar ao setor privado para assumir a gestão do grupo de comunicação da família após o término de seu mandato em dezembro de 2026.




