O governador Ronaldo Caiado (PSD) utilizou a tribuna da Assembleia Legislativa de Goiás (Alego) na tarde desta quarta-feira (18) para anunciar projetos de impacto no setor rural, apresentar balanço da gestão e defender o modelo administrativo adotado desde 2019. Durante a sessão solene de instalação da 4ª Sessão Legislativa Ordinária da 20ª Legislatura, Caiado entregou a mensagem governamental e listou prioridades para 2026.
O chefe do Executivo confirmou o envio de duas propostas ao Legislativo: uma que anistia 10.109 produtores rurais multados em R$ 1 bilhão e outra que extingue o Fundo Estadual de Infraestrutura (Fundeinfra). Segundo Caiado, as medidas foram construídas em entendimento com os produtores e respondem às dificuldades recentes do setor.
Caiado saudou o presidente da Alego, deputado Bruno Peixoto (UB), e lembrou sua passagem de 24 anos pelo Parlamento.
“Eu tenho humildade por ter vivido no Parlamento e sei que ninguém é capaz sozinho“, declarou, ao defender gestão baseada em ética e moral, com a tese de que, em Goiás, “o dinheiro público é preservado e é bem aplicado“.
Fiscal e econômico
Na área fiscal, Caiado comparou indicadores estaduais com os nacionais. Afirmou que a dívida do Estado caiu de 93% da arrecadação para 62% e que o PIB goiano dobrou em sete anos, passando de R$ 195 bilhões para R$ 409 bilhões. Lembrou que, ao assumir, encontrou R$ 6,4 bilhões em dívidas imediatas e 4.600 fornecedores sem receber. A reorganização fiscal, segundo ele, permitiu ao Estado encerrar o ciclo com R$ 9,8 bilhões em caixa e R$ 7 bilhões investidos em 2025.
Sobre relação com a União, Caiado disse que Goiás repassou R$ 124 bilhões em impostos e recebeu R$ 62 bilhões em investimentos federais. Citou depósito de R$ 3,8 bilhões para quitação antecipada de dívidas, garantindo juros zero por décadas. “Não é favor, não“, frisou.
Segurança
Na segurança, o governador afirmou que a área foi alicerce da governabilidade e relembrou a diretriz: “Bandido muda de profissão ou muda de Goiás, bandido não se cria no Estado“. Classificou as forças de segurança estaduais como “a melhor do Brasil, a mais bem equipada, a mais preparada e a mais competente“.
Saúde
Caiado destacou investimentos de R$ 38 bilhões na saúde, com ênfase no Complexo Oncológico de Referência (Cora), que atende mais de 7.600 crianças. Comparou o custo do Cora (R$ 255 milhões) com o aeroporto de cargas de Anápolis (R$ 450 milhões), que “nunca recebeu aterrissagem de nenhum drone“. Citou ainda hospitais no Entorno do DF (Luziânia, Águas Lindas e Formosa) como estruturas que devolveram dignidade à região.
Infraestrutura e energia
Sobre energia, Caiado responsabilizou decisões federais e a Aneel pelos gargalos de transmissão. Lembrou que expulsou a Enel: “Eu fui o único governador a expulsar a Enel”. Abordou também a reestruturação do Ipasgo Saúde, que recebeu com dívida de R$ 450 milhões e hoje atende “mais de seiscentas mil vidas” com equilíbrio.
Educação
Na educação, Caiado afirmou que Goiás lidera o Ideb e avançou na alfabetização, saindo do 19º lugar para índice de 72,7% de crianças alfabetizadas. Disse que políticas estaduais inspiraram iniciativas nacionais.
Inovação e tecnologia
O governador citou investimentos de R$ 720 milhões em inteligência artificial nos últimos cinco anos, com centro de excelência e lei estadual sobre o tema. Mencionou uso de IA no combate ao crime, com implantação no Entorno do DF e expansão para Goiânia.
Na área de minerais críticos, destacou convênio de R$ 400 milhões com o Japão para mapeamento do subsolo e projetos em Nova Roma e Iporá. “A Alego teve papel central ao aprovar legislação específica que antecipou debates ainda não consolidados no Congresso Nacional”, disse.
Caiado criticou a abertura de cursos de medicina sem estrutura, classificando o fenômeno como “picaretagem”, e defendeu o fortalecimento da UEG. Ao encerrar, afirmou que esta foi sua última participação na tribuna como governador e pediu que não haja retrocessos administrativos.









