A herança do médico Miguel Abdalla Netto, avaliada em aproximadamente R$ 5 milhões, tornou-se o centro de um novo embate jurídico e policial envolvendo sua sobrinha, Suzane von Richthofen. Um Boletim de Ocorrência foi registrado na Delegacia Eletrônica por Carmen Silvia Gonzalez, que afirma ter sido companheira do falecido, acusando a ex-detenta de retirar bens do espólio sem autorização judicial.
Segundo informações confirmadas pela Secretaria de Segurança Pública de São Paulo (SSP), o caso foi registrado como “exercício arbitrário das próprias razões”, crime previsto no Artigo 345 do Código Penal, que consiste em fazer justiça pelas próprias mãos. A denúncia detalha que Suzane teria se apropriado de um veículo Subaru XV, uma lavadora de roupas, um sofá e uma bolsa contendo documentos e dinheiro.
Conflito sucessório e nomeação de inventariante
O médico Miguel Abdalla Netto, falecido em janeiro de 2026 aos 76 anos, não deixou filhos, pais ou irmãos vivos. Ele teve um papel central na vida da família após o crime de 2002, atuando como tutor de Andreas von Richthofen e inventariante dos bens dos pais de Suzane até 2005. Agora, a própria Suzane busca o reconhecimento como herdeira consanguínea mais próxima.
Na última quinta-feira (5), Suzane foi nomeada inventariante do espólio pela Justiça. A decisão, no entanto, gerou forte reação da família. Em nota enviada à coluna de Fábia Oliveira, no Metrópoles, as advogadas de Silvia Magnani (prima do médico) manifestaram surpresa com a celeridade do despacho, alegando que a decisão ocorreu antes do encerramento do prazo para a apresentação de documentos que comprovam a união estável entre Silvia e Miguel.
Riscos ao patrimônio
A defesa de Silvia Magnani ressaltou a preocupação com a administração dos bens. Na nota, a equipe jurídica pontuou que a nomeação como inventariante não legitima atos praticados anteriormente sem autorização judicial, como a retirada do veículo e a violação do imóvel. As advogadas destacaram ainda o “alto risco da decisão”, mencionando o histórico penal de Suzane e o fato de o próprio Miguel Abdalla ter sido quem obteve a decisão judicial que reconheceu a indignidade de Suzane para a herança de seus pais no passado.
O caso segue sob investigação da Polícia Civil, enquanto a defesa da família de Miguel Abdalla prepara recursos para contestar a administração do espólio, buscando garantir a preservação do patrimônio até que a sucessão seja definida legalmente.







