O cenário da dublagem brasileira perdeu um de seus maiores expoentes na quarta-feira (4). O dublador Ricardo Schnetzer, conhecido por emprestar sua voz a astros de Hollywood como Tom Cruise e Al Pacino, faleceu aos 72 anos. A confirmação da morte foi feita por familiares do artista através das redes sociais.
Schnetzer enfrentava uma batalha contra a Esclerose Lateral Amiotrófica (ELA), uma doença neurodegenerativa progressiva que afeta os neurônios motores e compromete a capacidade muscular. No início de 2026, uma campanha de arrecadação virtual havia sido organizada por amigos e colegas de profissão para auxiliar nos custos do tratamento, que possuía uma meta de R$ 200 mil. Até o momento do falecimento, a mobilização havia alcançado pouco mais de R$ 118 mil.
Uma carreira marcada por vozes icônicas
Com uma trajetória que atravessou décadas, Ricardo Schnetzer consolidou-se como uma das vozes mais reconhecidas do Brasil. Além de ser o dublador oficial de Tom Cruise em grandes sucessos, ele também foi a voz recorrente de atores como Richard Gere, Nicolas Cage e Jackie Chan em diversas produções.
No universo das animações e séries, seu currículo inclui personagens que marcaram gerações. Entre os destaques estão o protagonista de Capitão Planeta, o personagem Benson da animação Apenas um Show e Albafica de Peixes em Os Cavaleiros do Zodíaco: The Lost Canvas. Schnetzer também teve papel relevante na teledramaturgia internacional dublada, sendo a voz de Carlos Daniel na popular novela mexicana A Usurpadora.
O impacto da ELA e o legado artístico
A Esclerose Lateral Amiotrófica, diagnóstico que Schnetzer recebeu recentemente, é uma condição rara que ganhou visibilidade mundial nos últimos anos devido à sua gravidade e rapidez de evolução. A doença provoca a paralisia progressiva dos músculos, mas geralmente preserva as funções cognitivas do paciente.
A partida do profissional deixa um vácuo na indústria audiovisual brasileira. Colegas de estúdio e fãs prestaram homenagens destacando não apenas o talento técnico de Schnetzer, mas sua importância na construção da identidade cinematográfica no Brasil, onde a dublagem é considerada uma das melhores do mundo. O legado de Ricardo permanece vivo em centenas de filmes e séries que continuam a emocionar o público brasileiro.







