A Paróquia Santana, localizada em Uruaçu, no interior de Goiás, tornou-se o centro de um debate ético e religioso após publicar um vídeo promocional para o “Acampamento de Adolescente Carlo Acutis”. A peça publicitária utilizava cenas do filme A Queda! As Últimas Horas de Hitler, transformando um dos momentos mais dramáticos da obra em uma sátira para atrair o público jovem. Diante da repercussão negativa e das críticas recebidas, a instituição optou por remover o conteúdo de suas redes sociais nesta segunda-feira (26).
A propaganda adaptava o conhecido meme da internet em que o ditador nazista aparece enfurecido em seu bunker. Na versão criada pela paróquia, as legendas foram alteradas para mostrar Hitler desesperado ao descobrir que as vagas para o acampamento religioso haviam se esgotado. Em um dos trechos, o personagem gritava que não poderia perder a chance de se encontrar com Deus, em um tom que buscava misturar humor com o senso de urgência das inscrições.
A recepção, no entanto, não foi a esperada pelos organizadores. Fiéis e moradores da região manifestaram desconforto com a associação de uma figura responsável por um dos maiores genocídios da história à mensagem cristã. Elaine Costa Oliveira, técnica em necrópsia e frequentadora da paróquia, classificou a publicação como desrespeitosa. Atualmente na Alemanha, Elaine ressaltou que a estética nazista carrega símbolos reais de dor e violência que contradizem os valores do Evangelho.
O responsável pela Paróquia Santana, padre Franciel Silva, esclareceu que a intenção da equipe era produzir um conteúdo chamativo e com alto potencial de engajamento entre os adolescentes. Segundo o religioso, o vídeo foi pensado como uma sátira e não houve, em nenhum momento, o desejo de enaltecer a figura do ditador. Ele reiterou que a Igreja mantém uma posição histórica de combate ao nazismo e que a decisão de apagar o vídeo foi tomada em respeito àqueles que se sentiram ofendidos.
Apesar do pedido de desculpas e da retirada do vídeo, o episódio reacendeu discussões locais sobre os limites do humor e das tendências digitais na comunicação institucional religiosa. Enquanto alguns fiéis defendem que o assunto deve ser encerrado após a retratação, outros sugerem uma revisão nos critérios de produção de conteúdo para evitar que referências históricas sensíveis sejam utilizadas de forma trivial.










