Chegou ao fim 2025, mas o mercado de hardware continua a enfrentar uma das crises mais fortes da década. Se você planejava um upgrade no PC ou a compra de um novo notebook, o cenário é bastante desanimador: os preços das memórias RAM dispararam em progressão geométrica. O que antes era um componente de custo previsível tornou-se o “novo ouro” da tecnologia, e o culpado tem nome e sobrenome: a “corrida armamentista” da Inteligência Artificial.
A lei da oferta e da procura nunca foi tão cruel com o consumidor final. Enquanto as gigantes do Vale do Silício e startups de IA ao redor do globo aceleram o treinamento de modelos de linguagem cada vez maiores, as fábricas de semicondutores atingiram o limite. O resultado é um efeito cascata que transformou a memória RAM no componente que mais encareceu o setor tecnológico no ano passado.
Demanda de IA
Gigantes de tecnologia e startups voltadas ao desenvolvimento de modelos de linguagem ampliaram de forma agressiva seus investimentos em data centers ao longo de 2024 e 2025. Esse avanço elevou de maneira significativa a demanda por memórias de alto desempenho, especialmente as HBM (High Bandwidth Memory), utilizadas em aceleradores gráficos e servidores de IA.
Fabricantes como Samsung, SK Hynix e Micron passaram a concentrar uma parcela maior de seus investimentos e capacidade produtiva nesse tipo de memória. Embora não haja conversão direta e total de fábricas antes dedicadas à DDR4 ou DDR5, houve uma realocação estratégica de recursos e uma desaceleração deliberada na expansão da produção de memórias convencionais.
O resultado foi um mercado mais apertado para módulos DDR4 e DDR5, justamente os usados por consumidores finais e pela indústria de PCs e notebooks.
Mercado volátil
Dados do mercado indicam que, no segmento spot — que reflete negociações imediatas e não contratos de longo prazo — o preço de chips DDR5 de 16 Gb saltou de cerca de US$ 6,80 em setembro para mais de US$ 27 em dezembro de 2025. Trata-se de uma alta expressiva em um curto intervalo de tempo, impulsionada pela combinação de oferta restrita e demanda aquecida.
Nos contratos firmados entre fabricantes e grandes compradores, os valores ficaram abaixo desse pico, mas ainda assim registraram aumentos relevantes ao longo do segundo semestre. Analistas apontam que essa volatilidade tornou a memória RAM um dos componentes que mais pressionaram os custos da indústria de tecnologia em 2025.
Outros fatores
A corrida da IA não foi o único elemento dessa equação. A escassez de insumos estratégicos, como determinados metais e terras-raras utilizados na fabricação de semicondutores, criou gargalos adicionais na cadeia produtiva global.
Além disso, após o excesso de oferta registrado entre 2022 e 2023 — período marcado por queda de preços e margens comprimidas — as fabricantes adotaram uma política mais conservadora em 2025. A estratégia buscou evitar novas expansões agressivas de capacidade, contribuindo para manter o mercado mais restrito e os preços elevados.
O que esperar para 2026 e além
Para o consumidor comum e para setores como o de games, o horizonte de curto prazo segue desafiador. Projeções do setor indicam que a pressão sobre a oferta de memória deve persistir ao longo de 2026 e pode se estender até 2027, dependendo do ritmo de expansão das fábricas e da evolução da demanda por IA.
Nesse contexto, rumores da indústria apontam que futuros consoles de nova geração, como os sucessores do Xbox e do PlayStation, podem enfrentar desafios de custo ou ajustes de preço, embora não haja anúncios oficiais nesse sentido.
Para o consumidor brasileiro, a recomendação é cautela. Em um mercado marcado por forte volatilidade e sensível ao câmbio, a memória RAM deixou de ser um componente barato e previsível para se tornar um dos principais fatores de encarecimento dos equipamentos eletrônicos.









