Uma operação da Polícia Militar (PM) resultou no fechamento de uma clínica de reabilitação irregular e na prisão de um casal na noite da última segunda-feira (12), em Aparecida de Goiânia. A ação policial revelou um cenário de graves violações de direitos humanos, onde cerca de 30 internos viviam em condições degradantes. O caso, que inicialmente envolvia uma investigação de furto de móveis, expôs uma estrutura de internação sem qualquer autorização legal.
A descoberta do local
O desdobramento do caso teve início após a denúncia de que um casal teria furtado mobiliário de uma chácara alugada na região. Durante as diligências para localizar os objetos subtraídos, as equipes policiais chegaram até a residência dos suspeitos, que funcionava como uma unidade de reabilitação para dependentes químicos. No local, além de recuperarem os móveis furtados, os agentes se depararam com a situação precária dos internos.

Ao entrarem no estabelecimento, os policiais constataram que o ambiente era insalubre e totalmente incompatível com atividades de saúde ou acolhimento humano. Não havia documentação básica de funcionamento, alvarás sanitários ou qualquer supervisão técnica necessária para o tratamento de dependência química.
Relatos de agressões e maus-tratos
A inspeção e os depoimentos colhidos no local agravaram a situação do casal responsável. Os cerca de 30 internos, com idades variando entre 20 e 50 anos, relataram uma rotina de privações. Entre as principais queixas estavam a alimentação inadequada e a administração de medicamentos sem prescrição ou acompanhamento médico.

Pelo menos três vítimas formalizaram denúncias de agressões físicas e psicológicas praticadas no ambiente. Segundo os relatos, o tratamento era considerado degradante, configurando o crime de maus-tratos. Um funcionário que prestava serviços na clínica foi identificado, mas, conforme o registro policial, não houve fundamentação para sua prisão imediata durante a abordagem.
Procedimentos legais

O casal foi detido em flagrante e conduzido à Central de Flagrantes de Aparecida de Goiânia. Eles deverão responder pelos crimes de furto qualificado e maus-tratos, além das infrações administrativas ligadas ao funcionamento irregular da clínica. Os objetos furtados da chácara foram recuperados e devolvidos ao proprietário.
As autoridades competentes devem agora realizar o encaminhamento dos internos para unidades de saúde regulares ou para o convívio familiar, garantindo que recebam o suporte necessário após o período de vulnerabilidade na unidade clandestina.









