A Polícia Federal (PF) deflagrou, na manhã desta quarta-feira (4), uma nova fase da Operação Compliance Zero, que resultou na prisão preventiva do empresário Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master. A ordem judicial foi expedida pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), que assumiu recentemente a relatoria dos inquéritos vinculados ao caso.
De acordo com as investigações, a medida foi tomada após a PF reunir novas evidências de que Vorcaro estaria proferindo ameaças contra pessoas que considerava seus oponentes. Além do dono do Banco Master, outro mandado de prisão foi cumprido contra Fabiano Zettel, pastor e cunhado do empresário. A operação busca desarticular o que a polícia descreve como uma organização criminosa envolvida em crimes de corrupção, lavagem de dinheiro, ameaça e invasão de dispositivos informáticos.
Ativos bloqueados e alvos no Banco Central
A ofensiva desta quarta-feira não se limitou às prisões. O ministro André Mendonça determinou o sequestro e bloqueio de bens no valor de até R$ 22 bilhões. O objetivo da medida é interromper a circulação de ativos sob investigação e garantir a preservação de valores que possam estar ligados a práticas ilícitas. No total, foram cumpridos quatro mandados de prisão preventiva e 15 de busca e apreensão nos estados de São Paulo e Minas Gerais.
A operação também atingiu o círculo do Banco Central. Agentes realizaram buscas nas residências de Paulo Sérgio Neves de Souza, ex-diretor de fiscalização, e do servidor Bellini Santana. Ambos já haviam sido afastados de suas funções anteriormente, mas agora o afastamento foi reforçado por determinação judicial direta. A investigação conta com o suporte técnico e institucional do próprio Banco Central para auditar as movimentações suspeitas.
Histórico e desdobramentos
Esta é a segunda vez que Daniel Vorcaro é preso no âmbito da Compliance Zero. Em 17 de novembro do ano passado, o empresário foi detido em São Paulo enquanto tentava embarcar para um voo internacional, sendo solto dez dias depois. O caso ganhou novos contornos políticos recentemente, após a revelação de que o deputado federal Nikolas Ferreira utilizou uma aeronave particular de Vorcaro durante uma caravana pela região Nordeste.
Até o fechamento desta reportagem, a defesa de Daniel Vorcaro não havia se manifestado sobre os novos mandados. O espaço permanece aberto para o posicionamento oficial dos citados.







