O caso do estupro coletivo no Rio de Janeiro ganhou novos desdobramentos com a confirmação de três denúncias formais e a aceitação da denúncia pela Justiça fluminense. As investigações, conduzidas pela 12ª DP de Copacabana, apontam que o crime ocorrido em 31 de janeiro de 2026 contra uma adolescente de 17 anos foi uma “emboscada planejada”. Segundo o inquérito, a vítima foi atraída por um ex-namorado, também menor de idade, para um apartamento na Rua Ministro Viveiros de Castro. No local, outros quatro jovens entraram no quarto e participaram da violência sexual acompanhada de agressões físicas.
Com o avanço do caso, outras duas jovens procuraram a polícia. Uma delas relatou ter sido vítima do grupo em 2023, quando tinha 14 anos, afirmando que o abuso foi filmado e utilizado como forma de ameaça. Uma terceira denúncia foi formalizada nesta terça-feira (3), referente a um episódio ocorrido em outubro de 2025 durante uma festa.
Situação jurídica e prisões

A 1ª Vara Especializada de Crimes contra a Criança e o Adolescente aceitou a denúncia do Ministério Público, tornando réus os quatro adultos envolvidos. Dois deles já estão sob custódia: Mattheus Veríssimo Zoel Martins e João Gabriel Xavier Bertho, que se entregaram às autoridades após terem pedidos de habeas corpus negados.
Permanecem foragidos Bruno Felipe dos Santos Allegretti e Vitor Hugo Oliveira Simonin. Este último é filho de um ex-subsecretário estadual, que foi exonerado do cargo nesta terça-feira para preservar a integridade das instituições, segundo o governo fluminense.
Responsabilização institucional
As instituições onde os réus estudavam ou trabalhavam aplicaram sanções de efeito imediato:
- Colégio Pedro II: Iniciou o desligamento de dois envolvidos.
- UNIRIO: Suspendeu o estudante Bruno Felipe por 120 dias, proibindo seu acesso ao campus.
- Serrano Football Club: Afastou o jogador João Gabriel Bertho e suspendeu seu contrato.
O menor de idade envolvido responde por fato análogo ao crime conforme o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). A defesa de João Gabriel nega as acusações, alegando que houve consentimento, enquanto as defesas dos demais envolvidos ainda não se manifestaram publicamente ou optaram pelo silêncio durante os depoimentos.







