O consumo de bebidas alcoólicas aumenta o risco de diversos tipos de câncer, segundo especialistas e estudos internacionais. Classificadas pela Agência Internacional de Pesquisa sobre o Câncer (IARC) como carcinógeno do Grupo 1, a categoria mais alta de risco, as bebidas alcoólicas têm evidências suficientes de que causam câncer em humanos. Estima-se que o álcool seja responsável por cerca de 4% de todos os casos de câncer no mundo.
Os tipos de câncer associados ao consumo de álcool incluem: cavidade oral, glândula salivar, faringe, laringe, esôfago, cólon, reto, fígado, mama e estômago.
O mecanismo biológico envolve o etanol, que, ao ser metabolizado, transforma-se em acetaldeído, substância com alto potencial carcinogênico capaz de danificar o DNA das células. O álcool também facilita a entrada de outros carcinógenos no organismo e aumenta o estresse oxidativo, favorecendo inflamações crônicas que podem levar a lesões no DNA. A combinação com tabaco potencializa o risco, especialmente para câncer de boca, faringe e laringe.
Uma revisão científica abrangente, publicada por pesquisadores da IARC, analisou estudos até junho de 2021, incluindo metanálises e relatórios de instituições como o Fundo Mundial de Pesquisa sobre o Câncer (WCRF). Os autores também utilizaram técnicas de randomização mendeliana para confirmar a relação causal.
Não há nível seguro de consumo. Mesmo doses baixas aumentam a probabilidade de desenvolver a doença. Um estudo estima que mais de 100 mil casos de câncer registrados em 2020 associaram-se ao consumo leve a moderado (cerca de uma ou duas doses por dia). O risco segue um efeito dose-resposta: quanto maior o consumo, maior o risco. Todos os tipos de bebida: cerveja, vinho ou destilados, têm impacto semelhante.
O Instituto Nacional de Câncer (INCA) desenvolve ações para conscientizar a população e participa de debates sobre a reforma tributária, defendendo o imposto seletivo sobre produtos nocivos à saúde. Estudos indicam que duas pessoas morrem por hora no Brasil por causas atribuíveis ao álcool. Os autores do estudo concluem que, apesar de o álcool ser classificado como carcinógeno há mais de 30 anos, a conscientização pública ainda é baixa, sendo necessárias políticas de controle e prevenção.







