Avatar de Johnny Cangirana

Colunista do PortalGO

Compartilhe

Lula e Trump: diplomacia exige menos discurso e mais resultado

O Brasil deve propor parceria, não submissão. Existem três frentes para avanço: tarifas, cooperação em segurança e transferência tecnológica.

54879529482 f14f96dc9b k | PortalGO
Foto: Ricardo Stuckert / PR

A ida do presidente Lula a Washington para se reunir com Donald Trump tem importância maior do que a fotografia oficial na Casa Branca. É um encontro que ocorre em meio a tensões comerciais, disputas geopolíticas, interesse americano em minerais estratégicos, preocupação com crime organizado transnacional e necessidade brasileira de reduzir danos provocados por tarifas contra produtos nacionais. Segundo as notícias, a pauta deve incluir tarifas, economia e cooperação em segurança.

Para o Brasil, o primeiro ponto é compreender que diplomacia não é palanque. Lula pode discordar de Trump em quase tudo no campo ideológico, mas, como chefe de Estado, precisa defender interesses permanentes do país. Relações internacionais não se fazem apenas com afinidade política. Fazem-se com pragmatismo, cálculo, paciência e clareza de objetivos.

O Brasil deve propor, antes de tudo, a normalização comercial. As tarifas impostas pelos Estados Unidos a produtos brasileiros atingem setores produtivos, afetam exportadores e criam insegurança para empresas que dependem do mercado americano. A reunião precisa servir para abrir caminho a uma revisão dessas barreiras, com base em critérios técnicos, econômicos e recíprocos, e não em humores políticos.

Também é indispensável colocar na mesa uma agenda de investimentos. O Brasil tem energia limpa, agronegócio competitivo, indústria que pode ser reativada em áreas estratégicas, mercado consumidor robusto e posição geopolítica relevante. Deve oferecer parceria, mas não submissão. Em especial, no tema dos minerais críticos e terras raras, apontado como interesse dos Estados Unidos, o Brasil precisa deixar claro que não quer ser apenas fornecedor de matéria-prima barata. Quer agregar valor, industrializar, gerar tecnologia e emprego dentro do país.

Na segurança pública, o Brasil pode propor cooperação contra o crime organizado, tráfico de drogas, armas, lavagem de dinheiro e atuação internacional de facções. Esse é um campo em que os dois países têm interesses concretos. Já há iniciativas de integração de dados entre órgãos brasileiros e americanos para enfrentar rotas ilegais e fluxos criminosos transnacionais.

Mas há um limite: cooperação não pode significar tutela. O Brasil deve ouvir propostas americanas, mas precisa rejeitar qualquer tentativa de enquadrar problemas internos brasileiros sob lógicas externas que reduzam a soberania nacional. Se os Estados Unidos falarem em classificar facções brasileiras como organizações terroristas internacionais, por exemplo, o governo brasileiro terá de avaliar com extremo cuidado os efeitos jurídicos, diplomáticos e operacionais dessa medida. Combater o crime é urgente; terceirizar a política de segurança, não.

O que podemos ouvir de Trump? Podemos ouvir cobranças duras. Trump tende a negociar pressionando. Pode exigir abertura comercial, garantias a empresas americanas, acesso privilegiado a minerais estratégicos, alinhamentos em temas internacionais e maior cooperação em segurança. Também pode usar a conversa para vender internamente a imagem de que os Estados Unidos voltaram a comandar a agenda hemisférica.

Lula, por sua vez, precisa evitar dois erros. O primeiro seria transformar o encontro em espetáculo ideológico para consumo da militância. O segundo seria aceitar concessões excessivas em busca de uma vitória diplomática de curto prazo. O Brasil não deve ir a Washington para pedir bênção. Deve ir para negociar.

A reunião é importante porque coloca frente a frente dois líderes de estilos opostos, mas obrigados pela realidade a conversar. Lula precisa de resultados econômicos e de uma imagem internacional de equilíbrio. Trump precisa de acordos, influência e respostas práticas em comércio, segurança e cadeias estratégicas. Há divergências, mas há interesses cruzados.

O melhor resultado para o Brasil seria sair da reunião com avanços em três frentes: redução ou revisão de tarifas, abertura de canais permanentes de cooperação em segurança e compromisso de investimentos com transferência tecnológica. O pior resultado seria voltar apenas com frases, fotos e ambiguidades.

Em diplomacia, o gesto importa. Mas o que fica é o acordo. A ida de Lula a Trump será positiva se o Brasil falar com firmeza, ouvir com inteligência e negociar com senso de Estado. Porque, entre a retórica e o interesse nacional, a escolha deve ser sempre pelo Brasil.

Newsletter
Receba as principais notícias e atualizações do PortalGO direto no seu e-mail.
Avatar de Johnny Cangirana
Recentes
Festival gastronômico em Goiânia reúne 110 expositores e grandes nomes da culinária
Festival gastronômico em Goiânia reúne 110 expositores e grandes nomes da culinária
Cultura · 55min

Festival gastronômico em Goiânia reúne 110 expositores e grandes nomes da culinária

Semana no cinema: Mortal Kombat II, ovelhas e rap nacional
Semana no cinema: Mortal Kombat II, ovelhas e rap nacional
Entretenimento · 12h

Semana no cinema: Mortal Kombat II, ovelhas e rap nacional

UEG convoca 112 aprovados; saiba prazos
UEG convoca 112 aprovados; saiba prazos
Goiás · 17h

UEG convoca 112 aprovados; saiba prazos

Países que duraram menos que um iogurte na geladeira
Países que duraram menos que um iogurte na geladeira
História · 20h

Países que duraram menos que um iogurte na geladeira

Mais do PortalGO
Lua | PortalGO
Nova praga? Luana Piovani critica Neymar após incidente com Robinho Jr.
Luana Piovani retoma críticas ácidas a Neymar e afirma estar ‘no camarote’ assistindo aos desdobramentos 06 maio 2026 · Entretenimento
WhatsApp Image 2026 05 06 at 07.00.46 | PortalGO
Goiânia testa rotas de fuga em simulado de rompimento de barragem nesta quarta
Sete bairros de Goiânia participam da ação que testa as rotas de fuga sinalizadas nos últimos meses 06 maio 2026 · Cidades
Vinicius | PortalGO
Morre aos 23 anos o campeão mundial de karatê Vinicius Cunha após acidente
Faixa preta 2º dan, Vinicius detinha títulos internacionais e representaria o Brasil no Mundial da Turquia em 2026 06 maio 2026 · Cidades
vlcsnap 2026 05 06 07h56m41s064 | PortalGO
Operação Destroyer: PCGO deflagra 5ª fase contra facções em Goiás
A ofensiva foca em crimes de organização criminosa, tráfico de drogas e lavagem de dinheiro. 06 maio 2026 · Goiás
Imagens 1 1 | PortalGO
Palmeiras deixa Libra após atrito com Flamengo
Palmeiras afirma que ações inviabilizaram modelo compartilhado. Clube não se filiará a outro bloco, prefere acompanhar possível liga única da CBF 06 maio 2026 · Esportes
40305157 2069751093058266 1822570497339031552 n | PortalGO
Vendas de veículos sobem 16,3% no 1º quadrimestre
Programa Carro Sustentável impulsiona: modelos incluídos na iniciativa cresceram 31,9%. Elétricos puros saltaram 173,75% no quadrimestre 05 maio 2026 · Brasil
agentes prf fiscalizacao | PortalGO
Maio Amarelo: PRF com tecnologia e educação para reduzir mortes
PRF lança Maio Amarelo 2026 com tema “No trânsito, enxergar o outro é salvar vidas”. Em 2025, foram 72.483 sinistros, 6.044 mortes 05 maio 2026 · Brasil
2025 05 29 03 03 21 7a91602e d6a9 46c3 aef3 2bc145046f6d | PortalGO
Feminicídios batem recorde no 1º trimestre
Brasil registra 399 feminicídios no 1º trimestre de 2026, o maior número da série histórica. Alta de 7,55% sobre 2025. São Paulo lidera com 86 vítimas. 05 maio 2026 · Brasil
furto de celular e1778008624179 | PortalGO
Nova lei aumenta pena para furto de celular e laranjas
Roubo: pena-base sobe de 4 para 6 a 10 anos. Latrocínio vai a até 30 anos. Receptação também endurece. Nova lei cria tipos penais específicos 05 maio 2026 · Brasil
padrao foto texto g1 2026 05 05t084007.274 | PortalGO
Prazo para tirar título de eleitor termina amanhã
Prazo para tirar ou regularizar título de eleitor termina às 18h desta quarta (6). TRE-GO ampliou horário. Quem perder não vota em outubro. 05 maio 2026 · Goiás