O pré-candidato à Presidência da República pelo PSD, Ronaldo Caiado, defendeu no sábado, 16, a classificação de facções criminosas como grupos terroristas e o uso do Exército no combate direto ao crime organizado. Mais do que uma proposta de segurança, o movimento sinaliza o posicionamento estratégico do político goiano para nacionalizar o debate público utilizando seu principal capital político: a aprovação institucional de seu legado na segurança em Goiás, estado que governou até março de 2026.
Contexto
A declaração foi feita em entrevista à Rádio 94 FM, em Dourados (MS). A agenda em Mato Grosso do Sul faz parte do roteiro de articulação de Caiado fora de seu território de origem. Ao escolher uma região próxima à fronteira seca com o Paraguai para propor tecnologia de monitoramento via satélite e atuação da Marinha, Aeronáutica e Exército, o político calibra o discurso para demandas locais e econômicas específicas do agronegócio e do setor produtivo regional.
Leitura de poder
Ao adotar a bandeira “menos Brasília e mais Brasil” e criticar a atual gestão federal pelo avanço das organizações criminosas, Caiado busca rivalizar diretamente com o comando central do país. O movimento fortalece seu protagonismo institucional perante governadores que cobram maior autonomia legislativa e penal, ao mesmo tempo em que tenta consolidar sua liderança sobre o eleitorado de centro-direita, antecipando-se a potenciais concorrentes na disputa de 2026.
Impacto
Para o cenário institucional e o Judiciário, a tese de classificar o crime organizado como terrorismo tensiona os limites da segurança pública e das atribuições constitucionais das Forças Armadas. A proposta também faz um aceno à retórica de Donald Trump, que defendeu classificar cartéis de drogas como organizações terroristas estrangeiras para viabilizar sanções financeiras e endurecer o policiamento fronteiriço. Caso a narrativa ganhe tração entre outras lideranças estaduais e federações empresariais, o tema deve pressionar o Congresso Nacional a pautar a descentralização de competências da União para os estados.
Próximo movimento
O próximo ponto de atenção será medir a receptividade das propostas de Caiado entre as bancadas temáticas em Brasília e observar a reação de outros governadores de oposição ao avanço de sua agenda em territórios do Centro-Oeste e Sudeste.
