A foto de Mikaeil Mirdoraghi, um menino iraniano de 9 anos, acenando para a mãe antes de ir à escola viralizou nas redes sociais nos últimos dias. A imagem, tirada a pedido do próprio garoto na manhã de 28 de fevereiro, tornou-se símbolo da tragédia que matou 175 pessoas em um ataque à escola de Minab, no sul do Irã. A maioria das vítimas eram crianças, segundo o The New York Times.
Em entrevista ao jornal Hamshahri publicada nesta terça-feira (10), a mãe do menino contou as últimas horas com o filho.
“Na noite anterior, ele disse: ‘Mãe, a comida que você fez tem gosto de paraíso’”, afirmou.
Antes de dormir, Mikaeil brincou de guerra com o irmão. “À meia-noite, ele veio, colocou os travesseiros ao redor dele, sentou com o irmão e disse: ‘Vem, eu sou o Irã, irmão, você é os Estados Unidos’. Durante a brincadeira, comemorou: ‘O Irã venceu. Eu era o Irã e venci’.” Horas depois, o ataque atingiu a escola.
O governo iraniano atribui o bombardeio a Estados Unidos e Israel, classificando o episódio como crime de guerra. Autoridades do país tratam as crianças mortas como “mártires”. A foto de Mikaeil passou a ser compartilhada por perfis ligados ao regime e por usuários comuns como símbolo da violência do conflito.

Reportagem publicada pelo The New York Times na segunda-feira (9) reuniu imagens de satélite, vídeos verificados e relatos que indicam que um míssil americano atingiu o prédio da escola. As imagens mostram colunas de poeira e fumaça se elevando na região da escola primária pouco antes de um míssil atingir uma clínica médica dentro de uma base naval próxima. Apenas os Estados Unidos possuem mísseis Tomahawk, usados no ataque.
Na semana passada, a agência Reuters revelou que uma investigação preliminar conduzida pelos militares americanos apontou que forças dos EUA provavelmente foram responsáveis pelo ataque que atingiu a escola.
O presidente Donald Trump, que inicialmente acusou o Irã pela tragédia, agora afirma que as autoridades investigam o caso.




