A Polícia Federal revelou nesta terça-feira (26) que o Rioprevidência, fundo responsável pelos benefícios de 235 mil aposentados e pensionistas do Rio de Janeiro, transferiu ao Banco Master um total de aproximadamente R$ 3,7 bilhões, entre outubro de 2023 e julho de 2024 (R$ 970 milhões) e a partir de julho de 2024 (mais R$ 2,01 bilhões). Os dados embasaram a 8ª fase da Operação Compliance Zero, que cumpriu dez mandados de busca e apreensão no Rio e no Distrito Federal, inclusive na casa do ex-governador Cláudio Castro (PL).
Agentes da PF estiveram por cerca de três horas na cobertura de Castro, na Barra da Tijuca, e apreenderam dois celulares. O advogado Carlo Luchione afirmou que o ex-governador acompanhou as buscas “com serenidade”. É a segunda vez em quinze dias que a PF visita o endereço: em 15 de maio, Castro já havia sido alvo da Operação Sem Refino, que investiga fraudes fiscais na antiga refinaria de Manguinhos.
O ministro André Mendonça, do STF, expediu os mandados a pedido da PF. Além da residência de Castro, as ordens alcançaram ex-dirigentes do Rioprevidência, a Mídias Promotora Ltda. e a Planner Corretora de Valores S.A., que a investigação aponta como intermediadoras entre o governo fluminense, o banco e o fundo.
A PF investiga gestão fraudulenta, créditos falsos e lavagem de dinheiro. O Banco Master já se encontra liquidado e seu dono, Daniel Vorcaro, está preso em Brasília. A apuração indica que o ex-governador atuou politicamente para viabilizar os investimentos e influenciou a nomeação de dirigentes para cargos estratégicos no Rioprevidência; presidência, diretoria e gerência de investimentos. A mudança de gestão, segundo a PF, sincronizou-se com aplicações de alto risco que contrariavam a política de investimentos do fundo e normas regulatórias, mas que favoreciam o Master.
A PF também retornou à casa do ex-presidente do Rioprevidência Deivis Marcon Antunes, em Botafogo. Antunes já havia sido preso em fevereiro, durante a Operação Barco de Papel; que investigou os R$ 970 milhões iniciais; e depois exonerado.
Os autos apontam que as aplicações continuaram mesmo após alertas de órgãos de controle e pareceres técnicos que as classificaram como “temerárias e desprovidas de justificativa técnica”. Mendonça, ao autorizar as buscas, considerou haver “elevada probabilidade de participação dos investigados em um amplo, estável e bem estruturado esquema de corrupção e lavagem de dinheiro criado para o desvio de uma cifra bilionária do Rioprevidência”. A PGR ratificou a representação da PF, apontando que a relação entre Castro e Vorcaro teria ultrapassado o plano institucional e incluído tratativas ilícitas para a captação dos R$ 3,7 bilhões, entre fundos e letras financeiras.
Na Alerj, o deputado Flávio Serafini (PSOL) já obteve assinaturas para instalar uma CPI sobre o caso. Dados apresentados à Casa mostram que, além dos R$ 970 milhões diretos, o Rioprevidência aplicou cerca de R$ 1,6 bilhão em fundos do Master, e a Cedae investiu R$ 200 milhões. O TCE-RJ proibiu novos aportes do fundo no banco.
