A tenente da Polícia Militar Rhainna Iannari Gomes Lima, de 40 anos, é suspeita de agiotagem e ameaças contra uma manicure de Aparecida de Goiânia. A denúncia, protocolada no Ministério Público de Goiás em 4 de fevereiro de 2026, relata que a vítima contraiu uma dívida inicial de R$ 2 mil com a policial, mas já pagou mais de R$ 18 mil e ainda não conseguiu quitar o valor devido aos juros abusivos.
Segundo a manicure, a dívida começou com sua irmã, que pegou R$ 2,5 mil emprestados, e rapidamente cresceu: “De R$ 2,5 mil foi para R$ 11 mil. De R$ 11 mil, foi para R$ 36 mil. Ela não para, não tem condições. Aí ela começou com as ameaças dela.”
A manicure conta que conhece Rhainna há quatro anos. Na época, a tenente disse que queria começar a emprestar dinheiro a juros e pediu que ela a ajudasse a encontrar clientes. Foi assim que a irmã da manicure entrou no esquema. Com o tempo, as cobranças se tornaram mais profissionais e passaram a envolver terceiros.
A vítima recebeu uma lista com parcelas semanais de R$ 60 e multa de R$ 20 por dia em caso de atraso. “Todo tanto que dava, ela tinha um juro. Todo dia ela tinha um juro, aí não parou mais”, desabafou.
As ameaças, segundo a manicure, ocorrem por mensagens e ligações a qualquer hora. Em um áudio enviado à vítima, Rhainna teria dito: “Para a minha paciência acabar é dois dedos e aí você vai ver o tamanho do problema que você vai ter. […] Você não me conhece. Eu sou legal demais, mas quando é para ser ruim também, sou péssima.” Em outra ocasião, a tenente teria afirmado: “Eu boto fogo na sua casa com seus filhos dentro.” A manicure também relata que, ao tentar negociar um pagamento fixo, a policial recusava, pois os juros não paravam de incidir.
A Polícia Militar instaurou procedimento administrativo para apurar possíveis transgressões disciplinares e indícios de crime militar. Em nota, a corporação informou que a tenente está afastada das atividades operacionais, exercendo funções administrativas, e reafirmou que “não tolera desvios de conduta e atua com rigor técnico, imparcialidade e estrita observância da legalidade”.
A defesa de Rhainna, porém, rebate as acusações. Em nota, afirma que a tenente fez empréstimos de boa-fé para a manicure e seus familiares (filho, filha, irmã e sobrinha) em 2024, movida por um vínculo de amizade, sem cobrança de juros ou vantagens. Alega que apenas cobrou o valor não devolvido e que as ameaças são mentirosas.
A versão da policial, publicada em suas redes sociais nesta quinta-feira (26), é que ela própria foi vítima de um golpe. Rhainna diz que a dívida total, envolvendo várias pessoas da família, soma R$ 16,5 mil – valor bem inferior ao alegado pela manicure. Ela admite ter contatado a mulher de forma mais incisiva, mas afirma que apenas alertou sobre a possibilidade de registrar ocorrência por estelionato. A tenente pretende provar sua inocência e processar a denunciante.
O Ministério Público de Goiás investiga o caso, que ganhou repercussão após a divulgação dos áudios e das notas oficiais. A manicure, que pediu anonimato por medo de represálias, espera que a Justiça ponha fim às cobranças e ameaças.









