Daniel Vilela (MDB) e Ronaldo Caiado (PSD) correm atrás do prejuízo. Estranho dizer isso, porque, diabos, o que faria alguém correr atrás de prejuízo?
Daniel e Caiado correm não porque têm como meta positiva alcançar o prejuízo eleitoral que veio com a confirmação de Wilder Morais candidato do PL ao governo.
Correm para não ficar no negativo, com risco de derrota por esgotamento gradual de perspectiva de poder. Todo cuidado é pouco.
Em um só lance, Daniel passou a ter um adversário no mesmo campo, a direita, e perdeu o PL, legenda que somaria tempo de TV e cabos eleitorais aguerridos ao seu objetivo de reeleição.
Ponto mais sensível, a desarticulação política da base governista em abril, na troca de guarda do comando do governo, é uma questão em aberto e tratada com cuidado nos bastidores.
Pólvora acesa. Bruno Peixoto (UB, mas com um pé no PRD), presidente da Alego, que o diga.
A graça da situação é que quem esperava isso, Marconi Perillo (PSDB), chega desidratado ao momento de Caiado sair e Daniel assumir. Esperava ser o possível herdeiro desse espólio.
Wilder é o favorito hoje, em caso de deserção na base governista. Está em alta desde que anunciou a filha de Iris, Ana Paula Rezende, fora do MDB e como nova filiada do PL, para ser sua vice.
O fato, mais do que mostrar uma chapa forte, consolidou a candidatura do senador, selando o azar dos governistas no sonho de aliança alinhavado com Gustavo Gayer.
Pesquisas e mais pesquisas já foram encomendadas. Telefonemas estão sendo disparados.
Ameaças de aliados – os que queriam tudo, agora querem tudo e mais um monte de outras coisas para manter apoio a Daniel – estão sendo pacientemente ouvidos.
Tudo pela manutenção do poder. Ajuste de rota para um plano que estava estabelecido e, acreditava-se, amarrado.
Os dados dos levantamentos em campo serão norteadores da (re)ação.
Isso e a percepção de cenários, a ser feita por Caiado, Daniel e seus conselheiros.
Wilder também planeja, impulsionado pela perspectiva real de vitória que passou a exalar. E pela gana da militância bolsonarista, alimentada nas redes sociais.
A previsão de subida de Flávio Bolsonaro nas pesquisas – verdade ou não, pouco importa; vale a narrativa – em levantamentos nacionais para a Presidência agita mais o ambiente.
Como fica a pré-candidatura de Ronaldo Caiado? A pergunta está posta. E importa.
Chamam a atenção:
– o compasso lento da pré-campanha de Marconi Perillo (PSDB), baseado na fé em ressurreição de seu passado de glória;
– a ausência do PT nas especulações e perspectivas de poder. Lá, Lula luta para se manter vivo na disputa; cá, a ação dos petistas empaca.
Wilder corre. Caiado e Daniel correm. Marconi e o PT não correm. Jogam parados. O tempo corre.









