Esta é a eleição que encerra um ciclo histórico em Goiás. A de 2030 será o início de outro. Até lá, a transição.
Essa percepção funciona como um marco. A precisão é a da simbologia. A constatação é dos fatos.
É concepção também. De tempo político vivo, que se renova, que se supera, ainda que pareça às vezes andar para trás ou rodopiar.
Na redemocratização, o PMDB mandou no Estado por 16 anos. Em 1998, a oposição (PSDB, PFL, PDC, PTB e PSDC) assumiu o poder.
Iris era a representação peemedebista. Marconi, o tempo novo oposicionista, com Lúcia Vânia e Ronaldo Caiado ao lado.
Na eleição anterior, Caiado e Lúcia tinham sido derrotados por Maguito Vilela, o candidato de Iris e pai do atual governador, Daniel Vilela.
Caiado rompeu com Marconi, juntou-se a Iris para se eleger senador e chegou ao governo em 2018, no 1º turno.
Caiado disputou o governo com Daniel, o candidato do MDB, que se lançou contra a vontade de Iris, mas que foi apoiado por ele.
Na véspera de sua morte, Iris fez seu último gesto político: juntou Daniel e Caiado, reeleito no 1º turno.
Este ano, Daniel é o candidato de Caiado contra Marconi Perillo e contra também a filha de Iris Rezende e Iris Araújo, Ana Paula Rezende, candidata a vice na chapa com Wilder Morais (PL).
Não há presente pior que passado. O tempo é eterno. Caminha. Máquina do tempo não é tempo. É o tempo da máquina.
Não quer dizer que a política de Pedro Ludovico, Iris Rezende, Henrique Santillo, Nion Albernaz seja melhor que a atual.
Ou que a atual, sem um líder estabelecido, seja pior. Os novos líderes estão por nascer – na política.
O presente não anda para o passado. Dialoga com o que passou, mas a direção é o futuro.
Entender quem somos e quem estamos nos elegendo ser é compreender para onde estamos indo depois do que passamos, e com o que temos passado.
Goiás evolui no tempo perene. Pode ser que a evolução não seja boa. Quem sabe? É o nosso tempo em curso.
A desilusão não é o caminho que escolhi. Em tudo vejo sentido e com tudo (e contudo) busco me divertir. Alegria, cidadão.
Política é a inspiração pelo que representa. E fracasso pelo que é. Em meio a minha fé. Em mim, nas pessoas. Fé em Deus.
Quem vai mandar na política de Goiás neste novo ciclo é a pergunta natural. Mas quem?
Quem vai mandar é a casca de uma outra questão, profunda: quem estará à frente de decisões que terão impacto para o bem e para o mal em nossas vidas desta eleição em diante?
(Bem e mal com filosofia, sociologia e psicologia, não apenas como verbete de dicionário. Registro.)
A eleição de 2026 para governador termina colocando um ponto final no que nos trouxe até aqui.
Ronaldo Caiado é o último dos políticos representantes dos arranjos que nos governam desde 1982.
Ele volta em 2030? Pode ser. Prolongará a transição? É uma possibilidade. Nada que, ao fim, não reforce a renovação (opa) política goiana.
2026 também coloca o ponto inicial no que vai nos levar adiante. Quem ganhar, levará junto uma oportunidade histórica na linha do tempo: a de ser a renovação.
Ser o novo líder de uma das pontas. Porque haverá sempre outra, na contraposição. Na oposição. Ou outras.
E renovação em termos: de nomes, não necessariamente de práticas. Sejamos otimistas, mas nunca iludidos.
Cada um de nós carrega o desafio de eleger o futuro de Goiás nas urnas. Não dá pra culpar ninguém pelo voto.
Reeleger Daniel Vilela, que era vice e assumiu na renúncia de Caiado, é dar quatro anos de prazo para que as coisas se ajeitem.
Será privilegiado em dobro: na oportunidade de se firmar e na posição onde estará. No topo da cadeia política estadual. Embora saindo ao relento em 2031. Há alternativas.
Eleger Marconi Perillo, Wilder Morais ou Luis Cesar Bueno é abrir espaço para que 2030 se antecipe no tempo histórico e o novo ciclo se abra, com uma curva.
Aquele que for eleito, terá a oportunidade de ser reeleito. Em vez de quatro anos, exceto Daniel, governará por oito anos.
A não ser que se derrote na gestão e na oportunidade perdida. Ser líder não é para os fracos.
A eleição terminar ou não neste domingo é o primeiro passo da caminhada que estamos fazendo juntos, eleitores e os que forem os eleitos.
Ter ou não segundo turno e ver nele os pontos de interseção dos ciclos faz parte do caminho. O resultado vira, de toda forma.
Assim como a reconfiguração das forças. Os realinhamento dos interesses. A formação de grupos políticos para os anos vindouros.
Testemunharemos essa festa caótica de olho nos passos dos caminhantes do jogo do poder. Eles vão escolher seus parceiros. Vão dançar. E, espero, vão nos divertir.
A campanha deste ano, incluindo a pré, não foi promissora na esperança de que a evolução inevitável da história, com suas nuances e contradições, trará aquele bem almejado.
Entretanto, não o define como mal incontornável. É a síntese. E a base de uma edificação em andamento.
Foi uma campanha de propostas medíocres. De declarações óbvias. De comportamento regrado na falta de inovação. Mais do mesmo a define.
Ocorre que o eleitor que saiu das pesquisas desde o início dizia querer só isso. Não queria ruptura. Queria continuidade. Queria o mesmo, mais.
O eleitor e o candidato combinaram de se encontrar, na transição dos ciclos históricos de Goiás, sem um plano.
Pensar que sairá deste cruzamento de nada com nada o futuro é mais desesperador do que imaginar quem vai mandar em Goiás nos próximos anos.
O recado é triste. Alguém vai mandar. E ninguém vai impedir. E quando este bobear, aquele assumirá o seu lugar. O lugar do povo.
Ou o povo vence ao eleger, ou perde por não se eleger.
Ou o poder sobrevive ao voto, ou vive de morrer.
