O presidente Luiz Inácio Lula da Silva confirmou nesta quinta-feira (19) que o secretário-executivo Dario Durigan assumirá o comando do Ministério da Fazenda com a saída de Fernando Haddad, que deixará a pasta para concorrer ao governo de São Paulo.
O anúncio ocorreu durante a abertura da 17ª Caravana Federativa, em São Paulo. Ao ler a nominata, Lula pediu que Durigan se levantasse: “Olha bem para a cara dele, que é dele que vocês vão cobrar muitas coisas”.
Haddad, presente no evento, fez um discurso de despedida em tom de balanço. Agradeceu o apoio do Congresso Nacional na aprovação das medidas econômicas e destacou a importância do pacto federativo. “Hoje, para mim é um dia especial, é um dia que eu estou deixando o Ministério da Fazenda”, afirmou.
Durigan, advogado formado pela USP, está no Executivo desde 2023 e tem perfil discreto, mas é visto como bom articulador. Antes, trabalhou na Advocacia-Geral da União (2017-2019) e no setor privado como diretor de Políticas Públicas do WhatsApp (2020-2023). Participou da equipe de Haddad na prefeitura de São Paulo em 2015-2016 e atuou nas medidas de recomposição de receitas, na regulamentação da reforma tributária e na renegociação das dívidas dos estados.
À frente da pasta, Durigan enfrentará desafios em ano eleitoral: coordenar a área econômica durante a campanha de Lula, lidar com pautas como o fim da escala 6×1, a isenção do Imposto de Renda sobre lucros e resultados, a revisão de benefícios sociais e a reforma dos encargos sobre a folha. Também terá que conduzir a regulamentação e transição da reforma tributária, com a implementação da CBS prevista para 2027, e o polêmico imposto seletivo sobre produtos como bebidas alcoólicas e cigarros, que será debatido no Congresso em ano eleitoral.
No front fiscal, a meta é alcançar superávit de 0,25% do PIB (R$ 34,3 bilhões) em 2026, com intervalo de tolerância de 0,25 ponto percentual. O arcabouço fiscal permite abater R$ 57,8 bilhões em despesas, como precatórios, o que na prática deve resultar em um rombo de R$ 23,3 bilhões. O espaço para gastos livres dos ministérios será apertado, exigindo bloqueios. O cenário internacional, com a guerra no Oriente Médio elevando o preço do petróleo para mais de US$ 100 o barril, pressiona a inflação e os juros, levando o governo a anunciar medidas como redução de impostos e subsídios para o diesel.




