Quando Iris Rezende lutou para ser candidato a presidente, havia uma movimentação geral em Goiás de apoio ao seu nome. Faltou o que mais importava naquele momento, de disputa interna para ser o escolhido de seu partido, o PMDB. Ele enfrentava ninguém menos que Ulysses Guimarães.
Faltou a Iris o apoio do governador na época, Henrique Santillo, que ficou contra, por razões que a história conta. Isso foi determinante contra Iris. Era sua grande oportunidade, logo depois do destaque como superministro das supersafras, no Ministério da Agricultura.
Em 2018, o ex-ministro da Fazenda e ex-presidente do Banco Central Henrique Meirelles, anapolino de origem, conseguiu sair candidato pelo mesmo MDB (sem o P). Foi o escolhido, mas não o eleito. Dentro de Goiás, não houve mobilização estratégica a seu favor e portanto não foi construído o clima de goiano vota em goiano.
Agora quem vai para o embate nacional é o governador Ronaldo Caiado (União Brasil). Por ora, embate para ser candidato, claro. Um parêntesis. Caiado chegou ao governo com apoio de Iris, e foi quem estimulou, em 2002, a entrada de Meirelles na política, na volta deste ao Brasil depois de dirigir um dos maiores bancos dos Estados Unidos.
Caiado vive momento parecido com o de Iris. De igual, ele tem apoio popular no Estado – mais de 80% dos goianos aprovam seu governo e não há oposição relevante -, uma base que também o apoia no projeto de candidatura a presidente, e uma disputa nacional interna em sua legenda para superar.
De diferente, Caiado tem o apoio definido de seu vice, Daniel Vilela (MDB). Daniel será o governador a partir de abril do ano que vem, com renúncia anunciada do titular, e desde agora anda pelo Estado mais defendendo o governo Caiado que a sua reeleição. Porque naturalmente uma coisa leva à outra. E por demonstração de lealdade.
No lançamento da candidatura dia 4 em Salvador, sempre esteve presente o cálculo de que precisava ficar claro que Goiás está com Caiado. A presença de lideranças políticas, empresários e outros entusiasmados incentivadores é o recado claro ao restante do País de que, em casa, o governador é presidente. Sem dúvida.
Goiás não tem um eleitorado expressivo, em termos estatístico, no entanto seria difícil provar ao Brasil que o goiano é bom para os brasileiros se os goianos não assinam embaixo. Essa vitória Caiado tem de saída. Isso sustenta, sem fazer força, o discurso que fará daqui pra frente: quem conhece Caiado, vota em Caiado.
Nos detalhes, Caiado vem se preparando para ser candidato há tempos. Um bom governo para mostrar, uma população e um Estado que lhe dão base de apoio para o salto, e uma história pra contar. São credenciais de saída para quem quer chegar mais longe que Meirelles, Iris ou qualquer outro. Uma Capital Federal os goianos já tem em terras que eram suas. Falta o presidente. Faltava?