A campanha de Daniel Vilela (MDB) chega à última semana antes do primeiro turno com o apoio explícito de Ronaldo Caiado (PSD), candidato à Presidência da República e ex-governador de Goiás. Em declaração divulgada pela campanha, Caiado voltou a defender o emedebista como o nome capaz de dar continuidade ao projeto administrativo iniciado em seu governo.
“Daniel está pronto para continuar com o melhor governo do Brasil”, afirmou.
A manifestação ocorre seis dias antes da votação e reforça uma das principais linhas da campanha de Daniel: apresentar sua candidatura como continuidade da administração que Caiado comandou entre 2019 e março deste ano.
Aliança
Daniel e Caiado chegaram à eleição de 2022 como antigos adversários políticos. A aproximação resultou na escolha de Daniel para a vice-governadoria, em uma composição que passou a concentrar no atual governador parte das responsabilidades políticas e administrativas da gestão.
Caiado afirma que a escolha foi feita com cerca de um ano de antecedência e que Daniel participou das decisões do governo durante os quatro anos de mandato.
A experiência é hoje utilizada pelo emedebista como argumento para sustentar que ele conhece a estrutura do Estado e está preparado para permanecer no cargo.
Daniel assumiu o governo em março, após Caiado deixar o Palácio das Esmeraldas para disputar a Presidência.
Argumento principal da candidatura
A campanha de continuidade se apoia em indicadores acumulados desde 2019.
Na segurança pública, os números apresentados pelo governo apontam redução de 62% nos homicídios entre 2018 e 2025. Também houve queda de 95% nos roubos de veículos, de 92% nos roubos a transeuntes e de 98% nos roubos de cargas.
Na infraestrutura, os investimentos informados pelo governo ultrapassam R$ 12,6 bilhões desde 2019. Nesse período, foram mais de 1,1 mil quilômetros de rodovias pavimentadas ou duplicadas e outros 1.030 quilômetros restaurados.
A área da saúde também aparece entre os argumentos utilizados para defender a continuidade. De acordo com os dados divulgados, o número de leitos de UTI passou de 274 para mais de 700 com a expansão da rede regionalizada.
Na educação, Goiás registrou nota 5,0 no Ideb do ensino médio de 2025, índice apontado como o maior já alcançado pelo Estado. Sete escolas públicas goianas também ficaram entre as dez melhores do país nessa etapa.
Daniel tenta combinar continuidade e nova fase
Apesar de manter o discurso de continuidade, Daniel passou a apresentar iniciativas próprias desde que assumiu o governo.
Na segurança, o programa IA Contra o Crime alcançou 194 municípios e passou a integrar mais de 5,3 mil câmeras ao sistema. O governo também mantém mais de 800 obras em execução e afirma ter preservado programas sociais direcionados às famílias de menor renda.
No campo fiscal, Goiás chegou a 2026 com classificação B+ na Capacidade de Pagamento (Capag) do Tesouro Nacional e nota A em liquidez, segundo os dados apresentados pela gestão.
O discurso de Daniel é que a experiência acumulada durante a gestão anterior permite manter políticas consideradas bem-sucedidas e, ao mesmo tempo, abrir uma nova etapa administrativa.
“Ser braço direito do governador Caiado me credenciou para que Goiás siga um caminho seguro. A experiência e os resultados dos últimos meses me prepararam para conduzir o Estado”, afirmou.
Apoio de Caiado
A declaração de Caiado reforça a conexão entre seu capital político e a candidatura de Daniel na reta final da disputa pelo governo de Goiás.
Mais do que uma manifestação de apoio, a estratégia coloca os resultados dos últimos anos no centro da escolha eleitoral: Daniel busca convencer o eleitor de que sua candidatura representa a manutenção de um modelo de gestão, mas com comando próprio.
O desempenho dessa associação entre legado de Caiado e candidatura de Daniel será um dos pontos a observar até o primeiro turno.
