O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) encerrou neste sábado (3), em São Paulo, a sequência de atos de rua de sua campanha antes do primeiro turno das eleições, marcado para este domingo (4). A mobilização percorreu trechos da avenida Paulista e da rua Augusta e terminou na região da praça Roosevelt.
Ao longo da caminhada, Lula concentrou o discurso em temas que vêm sendo apresentados pela campanha na reta final da disputa. Entre eles estão a proposta de mudança na jornada de trabalho, as críticas às apostas esportivas e a participação dos eleitores com mais de 70 anos, para quem o voto é facultativo.
O presidente esteve acompanhado do vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB), do candidato ao governo de São Paulo Fernando Haddad (PT), de Márcio França (PSB), além de Marina Silva (Rede), Simone Tebet (PSB), da primeira-dama Janja e outras lideranças.

Presidente volta a defender mudança na jornada
Lula utilizou parte da fala para defender o fim da escala 6×1. Segundo ele, a discussão sobre a jornada de trabalho deve continuar no Congresso e fazer parte das prioridades caso seja eleito para um novo mandato.
O tema ganhou espaço na campanha nas últimas semanas e também está em discussão no Legislativo. Ao abordar a questão, o presidente associou a mudança na jornada às condições de trabalho e ao descanso dos trabalhadores.
Críticas às apostas esportivas
As chamadas bets também voltaram ao discurso. Lula criticou o impacto das apostas sobre a renda das famílias e afirmou que o dinheiro destinado ao jogo não deveria comprometer despesas básicas.
O presidente relacionou ainda o assunto ao endividamento e aos juros cobrados no crédito. Durante a fala, utilizou um discurso mais duro contra o setor e defendeu medidas de controle sobre as apostas.
Apelo a eleitores com mais de 70 anos
Outro trecho da manifestação foi direcionado aos eleitores idosos. Lula pediu que pessoas com mais de 70 anos avaliem a possibilidade de comparecer às urnas neste domingo.
O voto é facultativo para essa faixa etária. Aos 80 anos, o próprio presidente citou a idade durante o discurso e afirmou que mantém disposição para continuar na disputa eleitoral.
Além do apelo aos idosos, Lula pediu que seus apoiadores mantenham conversas com familiares, amigos e conhecidos nas horas que antecedem a votação.
Antes do início da participação de Lula, houve um episódio de tensão envolvendo integrantes da organização e policiais militares. A discussão ocorreu por causa da circulação dos carros de som na avenida Paulista.
A Polícia Militar orientou que os veículos fossem retirados da via e seguissem pela rua Augusta para preservar o trânsito. A realização da caminhada havia sido autorizada pelo Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo (TRE-SP), que estabeleceu condições para a atividade.
Durante a movimentação, parte dos apoiadores protestou contra a orientação policial. Depois do episódio, o ato prosseguiu pelo trajeto previsto.
Lula também criticou as restrições impostas à manifestação e afirmou que a avenida Paulista não pertence a um grupo político específico.
Educação e soberania
Além dos temas ligados à reta final da campanha, Lula mencionou investimentos em universidades, institutos federais, ciência e inovação. Programas como ProUni, Fies e Pé-de-Meia também foram citados.
O presidente ainda falou sobre soberania nacional, políticas sociais, direitos humanos e cultura. Em outro momento, comparou sua gestão ao governo de Jair Bolsonaro e apresentou a eleição como uma escolha entre projetos diferentes para o país.
Com a caminhada deste sábado, Lula encerrou sua programação de rua antes da votação. A campanha, no entanto, manteve ações de mobilização ao longo das últimas horas antes do primeiro turno, que será realizado neste domingo (4).
