Luis Cesar Bueno (PT) teve o melhor desempenho individual no debate da TV Anhanguera nesta terça, 29.
Daniel Vilela (MDB) foi o maior beneficiado com o zero a zero.
Os dois ganharam, no saldo das estratégias. Daniel ganha, de novo, em outro quesito: recortes nas redes sociais.
Marconi Perillo (PSDB) mostrou que chega ao final da campanha no ponto ideal para começar a campanha.
Explico: estava menos carrancudo, e um pouco mais perto daqueles tempos em que se prenunciava o seu nomeado ‘tempo novo’ nos governos.
Sem o peso da raiva sobre os ombros, que carrega desde que se lançou no jogo.
Wilder Morais (PL), mais falante, falou tanto que esqueceu o sentido das frases. Em alguns momentos, jorrou palavras, mas não disse nada.
Deixou claro que não sabe do que os adversários estão falando quando falam de inovação e tecnologia. Voou na pauta.
Wilder até tentou sair da enrascada. Questionado por Daniel, apontou que ao eleitor esse tema pouco importa. O que ele quer é ser atendido no posto de saúde, ver comida na mesa e ter escola funcionando.
Ponto relevante. Porém foi tão desastrado ao desenvolvê-lo, que a resposta ficou mais confusa ainda, e pior o seu desempenho.
E o que isso quer dizer, na ordem dos dias derradeiros da eleição? Nada. Diz sobre eles, sem afetar o jogo em andamento.
O debate foi morno. Com uma ou outra pimenta de molho.
Voltando aos desempenhos individuais e ao debate.
Daniel Vilela foi comedido nas palavras. Bem articulado e preparado nas respostas. Estava visivelmente cansado, mais lento. Não subiu o tom. Cumpriu a missão de não se complicar.
E produziu recortes precisos para suas redes sociais, como o que cita várias medidas negativas de Marconi para os servidores, nos governos tucanos. Lacrou.
Novidade: um Marconi Perillo tentando sorrir, mostrar-se mais desenvolto. E que parece ter encontrado uma medida mais equilibrada entre citar o passado e falar de futuro.
O novo Marconi de hoje ainda não concluiu a reconexão com o velho Marconi, que lá atrás era o novo contra o então velho MDB de guerra. Está a caminho.
A apatia de Wilder não é pontual. Ela é uma característica de sua personalidade. Seu rosto não reproduz a expressão que suas palavras carregam nos momentos em que busca narrar que é um vencedor.
Wilder não articula uma resposta com início, meio e fim. E quem sabe por isso não empolgue. Entre bolsonaristas, há resignação em relação a ele como candidato. Não escondem. Paixão, não se vê.
Paixão inequívoca tem mostrado o petista Luis Cesar Bueno. Deixado à própria sorte pelos aliados da coligação, ele não passa recibo e fica no que definiu como rumo: colar em Lula.
Luis Cesar articula propostas e tem de pronto respostas para questionamentos incômodos ao PT, como os relacionados a corrupção. E repete o tempo todo a lista de obras que Lula e Dilma fizeram em Goiás.
Em um dos momentos mais divertidos do debate, Wilder quis emparedar Luis Cesar Bueno. Colocá-lo nas cordas. Perguntou o que ele faria caso o MST invadisse terras em seu governo.
Luis Cesar nem titubeou. Disse que Lula foi quem mais investiu no agro, elogiou o setor, teorizou sobre reforma agrária, enfiou na conversa o valor social da agricultura familiar. Criou uma oportunidade na adversidade.
Citei um, cito outro momento divertido do debate.
Marconi Perillo diz para Wilder Morais: se ele, Wilder, for eleito governador, quem assumirá como senadora por quatro anos é Izaura Cardoso, sua primeira suplente.
Izaura é esposa do senador e candidato à reeleição Vanderlan Cardoso, basicamente um ‘lulista’, na argumentação de Marconi, devido ao número de votações em que acompanhou o governo no Senado.
Marconi argumentou: pode ser que falte um voto para afastar um ministro do STF, por exemplo. Ou para aprovar a anistia a Bolsonaro. E aí? “O sr precisa continuar no Senado. Quero que todos reflitam sobre isso”, arrematou.
Wilder titubeou. E o recado de Marconi foi dado aos bolsonaristas. O tucano não definiu o seu candidato a presidente. Mas #ficaadica para o 2º turno. E para o 1º, com voto útil para ele. Útil para os bolsonaristas.
Daniel também deixou no ar um possível apoio a Flávio Bolsonaro. Em certa altura, disse a Luis Cesar Bueno que Lula não será o presidente a partir do ano que vem.
Não citou Caiado na sequência. Ficou no ar se estava, como Marconi, mandando sinais aos bolsonaristas. Um aceno providencial. A dúvida joga a seu favor.
Marconi e Daniel voltaram a duelar. O governador levou a melhor. Em duas sequências, ficou com a última palavra. E não perdoou o adversário. Os recortes nas redes sociais estão aí para mostrar que não estou mentindo.
Marconi conseguiu pontos a favor com uma esperteza. Aproveitou o tempo de perguntas programadas para apresentar propostas novas. Uma delas é o Limpa Nome, uma espécie de Desenrola local.
O Desenrola é um dos programas estratégicos do governo Lula lançados durante a campanha. O Limpa Nome tem finalidade igual: zerar os débitos do cidadão endividado. Resta saber se produzirá efeitos positivos a tempo. Para Lula, o Desenrola é uma benção de votos.
Assim é que o debate não muda um por cento sequer da eleição. Nem para mais, nem para menos. Sem margem de erro.
Seguimos na mesma: Daniel lutando para ganhar no 1º turno. Marconi e Wilder cruzando os dedos pelo 2º turno. Luis Cesar Bueno sem nada a perder.
