O Museu de Arte de Goiânia (MAG) abre nesta terça-feira (15), às 19h, a exposição “Memórias de Dona Lourdes: Ver para não esquecer”. A mostra recupera a trajetória de uma das famílias atingidas pelo acidente com o Césio-137 e permanece em cartaz até 12 de outubro.
A exposição parte do testemunho de Lourdes das Neves Ferreira, mãe de Leide das Neves, uma das quatro vítimas fatais diretas do acidente radiológico ocorrido em Goiânia, em 1987. Fotografias, documentos jornalísticos e relatos pessoais ajudam a reconstruir a rotina da família antes e depois da contaminação.
O material apresenta Leide para além da condição de vítima. As imagens e lembranças recuperam aspectos da infância da menina, que tinha seis anos, gostava de bonecas e sonhava em ser bailarina.
Fotografias preservadas
Segundo o relato apresentado pela exposição, parte do material radioativo chegou à residência da família levada por Ivo Alves Ferreira, pai de Leide e marido de Dona Lourdes. Sem conhecer os riscos, os moradores tiveram contato com o pó de Césio-137, que emitia um brilho azulado.
Leide brincou com a substância e ingeriu partículas durante uma refeição. Nos dias seguintes, integrantes da família começaram a apresentar sintomas da contaminação.
Depois que o acidente foi identificado, a residência precisou ser desocupada. Dona Lourdes reuniu roupas, documentos e dinheiro em um lençol porque acreditava que retornaria ao imóvel. A casa, porém, foi demolida, e os objetos que estavam no local foram descartados como rejeitos radioativos.
Antes da demolição, Dona Lourdes pediu que as fotografias da filha fossem preservadas. Parte das imagens passou por um processo de descontaminação e foi devolvida à família. Esses registros integram a exposição no MAG.
Leide morreu em 23 de outubro de 1987, após ser transferida para tratamento no Rio de Janeiro. A mostra busca manter sua memória também a partir da vida anterior ao acidente e das relações familiares registradas nas fotografias.
Memória coletiva
A exposição também reúne imagens produzidas por repórteres fotográficos que acompanharam o acidente. Os registros mostram as perdas materiais, os deslocamentos forçados e o preconceito enfrentado pelas pessoas contaminadas ou expostas à radiação.
Ao aproximar documentos públicos de lembranças familiares, a mostra discute como uma tragédia coletiva atravessa histórias individuais e como a preservação desses registros contribui para a memória de Goiânia.
“Memórias de Dona Lourdes: Ver para não esquecer” é assinada por Antônio da Mata e Denise Jácomo. A visitação ocorre de terça a sexta-feira, das 8h às 12h e das 13h às 17h. Aos sábados, domingos e feriados, o espaço funciona das 8h às 18h.
Serviço
Exposição: “Memórias de Dona Lourdes: Ver para não esquecer”
Abertura: 15 de setembro, às 19h
Período de visitação: até 12 de outubro
Local: Museu de Arte de Goiânia, Rua 1, nº 605, Bosque dos Buritis, Setor Oeste
Horários: terça a sexta-feira, das 8h às 12h e das 13h às 17h; sábados, domingos e feriados, das 8h às 18h
