Tem candidato fazendo barquejada, dancinha no TikTok, coraçãozinho coreano. Tem candidato de todo tipo. Ao gosto do freguês. Do eleitor, melhor dizendo.
Um marqueteiro acostumado às eleições e com o corre nos municípios de Goiás, abre sua lista particular.
Tem o candidato Independence Day.
É aquele com mandato mas sem base definida, na terceira, quarta, quinta campanha. A cada nova eleição, um novo golpe em municípios diferentes.
No filme de mesmo nome, alienígenas invadem a Terra para tomar nossos recursos naturais.
Os candidatos/políticos Independence Day invadem municípios na época da eleição para sugar seus votos. Mandato garantido, desaparecem.
Nada entregam em retorno à confiança tão generosamente recebida (se é que não foi bem paga) da população. E nem olham para trás.
Na eleição seguinte, sem condições de voltar lá, vão atrás de novas vítimas. E se reelegem. Goiás tem 246 municípios. Um lavourão eleitoral de encher as burras, e as urnas.
Tem o candidato que faz arrastão eleitoral de última hora para comprar votos e lideranças. Chegam de repente, pegam os eleitores no soluço da boca-de-urna, e tchau.
Tem o candidato em células. Ele se inspira nas igrejas que se multiplicam de grão em grão e estão presentes em tudo quanto é lugar. Vira um infiltrado dos deuses materiais para colher o dízimo eleitoral.
Esse abençoado das promessas forma pequenos grupos de apoiadores em dezenas de localidades evitando fazer barulho, agindo de fininho. Um pouco aqui, mais um pouco acolá, e a colheita é certa.
Tem o candidato casado com apoiador amante. Fidelidade zero. Promete amor eterno no altar das alianças políticas, e ao mesmo tempo faz acordo infinito enquanto dure com quem oferece mais por baixo dos lençóis.
Prefeitos, vereadores, aquele líder de bairro, o pastor, o padre. Quem nunca? Quando as máscaras caem, acontece de tudo. Há traídos que fazem até vídeo nas redes sociais com a carapuça exposta. Seria triste, não fosse risível a ragicomédia eleitoral.
Tem candidato rabo de chapa, que só entra na chapa para somar o que conseguir de voto para a legenda. Não chega a ser um candidato laranja. Cumpre tabela. Dá caldo. No fim, todos ficam satisfeitos.
Tem o candidato pavão. Chato de evento. Se acha, não faz campanha, quer ficar na janelinha dos palanques e discursa como o mais votado. Uma sol radiante nas redes sociais. Joga a partida inteira sem sujar a gola da camisa.
Tem candidato muquirana. As boas línguas contam a história daquele certo candidato a senador. Certa vez numa carreata, de cima do caminhão, ele reclamou feio com sua assessoria porque um garoto estava com três bandeirinhas acenando para ele. Três? Desperdício de dinheiro, bradou.
Tem candidato marqueteiro de si mesmo. E coordenador da própria campanha. E cerimonialista nos palanques em que é a estrela. E dono da razão. E coach de equipes de rua. E negociante dos apoios e da captação de recursos. Fuja.
Tem candidato que está na campanha para receber verba e repassar para os estaduais, desviando-se da letra da lei com jeitinho. E os que querem, ao menos, marcar presença para depois beliscar um cargo por indicação partidária ou de um eleito.
Tem candidato inzoneiro. Está ali só pra conseguir dinheiro do partido para ele, ou para escapar do trabalho no período da campanha, ou porque gosta de se fazer importante, ou porque tem planos. Quinta suplência é ouro. Segunda, já é mandato.
Tem candidato fogo de palha. Começa bem, vê o tamanho da bronca, percebe que não vai longe, e então cai fora correndo. Tem candidato que se arrisca agora preparando terreno para a eleição seguinte.
Tem candidato que não tem nada, a não ser a cara de pau e a coragem. Sem dinheiro, sem base, sem desconfiômetro e sem dúvida de que vai ganhar alguma coisa, de alguma forma. Não faz plano. Faz barulho.
Tem candidato que soma voto em progressão geométrica. Conheci um desses. Em campanha para vereador, dizia que estava eleito só com os votos da família. Mais os prometidos no aperto de mão, seria o mais votado da história. Ganhou até as urnas serem abertas. Aí perdeu.
Tem candidato que vive dentro de teorias da conspiração. Só sai de lá quando perde, satisfeito porque o resultado revelou-se prova definitiva da verdade que sempre imaginou e, mais importante, a-vi-sou. Comemora que deu certo porque deu errado nas urnas.
Conheci um candidato entusiasmado, no interior, falando em devolver ao povo um pouco do que conquistou na vida. Regado nas boas intenções.
Mas que, eleito com a maior votação local (mais de 200 votos), ficou desiludido com o resultado. Assumiu e renunciou. Disse que só dentadura tinha doado 350.
Tem candidato de todo tipo, e eleitor também. Eleja o seu.
