O pré-candidato ao Senado por Goiás Gustavo Mendanha defendeu o afastamento temporário do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), durante a análise de documentos relacionados ao caso Banco Master. Ele também cobrou uma reação do Senado diante dos novos elementos extraídos do celular do banqueiro Daniel Vorcaro.
O posicionamento foi divulgado após o ministro André Mendonça retirar o sigilo de documentos e relatórios produzidos com base nos dados obtidos pela Polícia Federal. O material contém informações sobre contatos envolvendo Vorcaro e Moraes.
André Mendonça defendeu que os elementos sejam examinados pelo plenário do STF. A Procuradoria-Geral da República (PGR) também foi chamada a se manifestar sobre o conteúdo.
Segundo Gustavo Mendanha, o afastamento temporário seria uma medida para preservar a apuração e a credibilidade das instituições enquanto o caso é esclarecido.
“Na minha opinião, o ministro Alexandre de Moraes deveria pedir seu afastamento enquanto tudo é esclarecido. Isso ajudaria a preservar a investigação, o próprio Supremo e a confiança das pessoas nas instituições”, afirmou.
A divulgação dos documentos, no entanto, não representa, por si só, uma conclusão sobre eventual irregularidade ou crime de responsabilidade. A análise do material caberá às autoridades responsáveis pelas investigações e aos órgãos competentes.
Pressão sobre o Senado
Mendanha também direcionou a cobrança à Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado, que mantém um grupo de trabalho destinado a acompanhar as investigações relacionadas ao Banco Master.
O grupo já realizou reuniões com representantes da Polícia Federal e do STF, além de aprovar pedidos de informações, audiências e oitivas sobre diferentes frentes do caso.
Para o pré-candidato, o GT deveria voltar a se reunir para analisar os documentos tornados públicos, solicitar novas informações e ouvir as autoridades envolvidas na apuração.
“O Senado não precisa esperar um pedido de impeachment para cumprir seu papel. Já existe um grupo criado para acompanhar o Banco Master”, declarou.
O grupo de trabalho pode acompanhar as investigações e encaminhar informações às instituições competentes, mas não possui atribuição para determinar o afastamento de um ministro do Supremo. Eventual processo por crime de responsabilidade contra integrante do STF depende de procedimento próprio no Senado.
Mendanha ainda afirmou que pretende atuar sobre o tema caso seja eleito e a apuração permaneça sem uma resposta institucional até o início da próxima legislatura, em fevereiro de 2027.
“Se houver crime de responsabilidade comprovado, não vou me omitir na hora de votar. A lei tem que valer para todos”, disse.
Os próximos movimentos dependem da manifestação da PGR, da análise do material pelo Supremo e de uma eventual retomada dos trabalhos do grupo da CAE.
